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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O ferrolho

A cada inauguração de presídio, a cada anúncio de novas vagas a detentos, a certeza:

A cada porta e janela aberta, maior o cerco contra a dignidade humana.

Para uns, pulos. Para a maioria, politricas.

Depp à vista


“Johnny Depp é fotografado saindo de seu apartamento em Nova York. O ator usava uma roupa despojada, chapéu e falava ao celular”.

Notícia de tamanha importância é capaz de frear os tremeliques das economias grega e irlandesa, congelar as tensões na Síria ou recuar as chagas cancerígenas de Hugo Chávez.

Duvidam?

Fossem divulgadas as grifes da roupa, do chapéu e do celular de Depp, do Caribe a Wall Street os piratas de mercado entrariam em polvorosa.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O pouco iluminado

Sujeito “arretado" esse Ricardo Sergio Freire de Barros.

Juntou o pior ângulo e foto do ator Jack Nicholson em identidade e partiu rumo à abertura de conta em agência bancária de Boa Viagem (PE).

Pego com a cara de Jack, o Estripador, descobriram com o farsante coleção de carteiras falsas.

Nicholson – que diria! – em versão nacional é João Pedro dos Santos.

Fico aqui a imaginar com qual nome o falsário rebatizou o austríaco-pernambucano Arnold Schwarzenegger.

Não, melhor não arriscar!

Mortos de sono e cansaço

“Sala de repouso dos removedores de cadáveres”.

Com a designação fúnebre, não é de estranhar que o Ministério Público do Trabalho requeira a interdição de parte do prédio onde funciona o Instituto de Medicina Legal (IML) de São Luís.

A medida visa a garantir condições dignas de trabalho a quem ali presta serviços, anunciou o órgão.

A história de terror tem enredo incompleto.

A “sala” há anos está ociosa, tantos são os defuntos que chegam ao IML, removidos a contragosto do repouso mortuário em vida.

E a “sala” onde os cadáveres não dormem, como a chamam?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

As contas de cada um

O novo Italuís entrou pelo cano ou a construção da nova adutora só voltará à tona no próximo rompimento?

A lembrar: o último ocorreu no dia 4 de janeiro.

No ano passado foram quatro “estouros”, contou a Caema.

Em dezenas de bairros de São Luís, os moradores contam décadas de falta d´água e de promessas enxurrada abaixo.

Pedido a São João

Não bastasse as aves que aqui gorjeiam, milhões de beija-flores foram buscar.

Que o São João nos lave a alma.

Que não chegue com ares de Manguda e pandeirões com sotaque carioca.

Que o santo nos traga bois de matraca e a algazarra dos batalhões.

Não for pedir muito, ponha em fuga os carnavais de promessas e nos dê proteção contra monstros e assombrações.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Valei-nos, São Francisco!

E esse Relógio dos Quatrocentos Anos?

A contagem regressiva é rumo ao futuro, ou estivemos lá – e por falta de ambientação e corda – vamos recomeçar do zero.

Pura curiosidade.

A ponte, o mecanismo e o tempo de espera receberam proteção conta a maresia?

Chantagem regressiva

O Maranhão vive momento único.

No aeroporto “internacional”, as obras de "reforma" há muito foram para o espaço.

Nas estradas federais e estaduais, difícil é perder de vista o que não se perdeu pelo caminho.

Nas ruas e avenidas de São Luís, procura-se um sinal de que amanhã haverá esperança, ainda que verde.

Em setembro a capital amanhecerá quatrocentona em dores e desamores.

Haverá eleições municipais este ano.

E momento em que nenhum voto valerá o tormento.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A “surpresa”

Na falta de Joãosinho Trinta, a Globo sacou rapidamente outro “gênio”: Paulo Barros, da campeã Unidos da Tijuca.

Surpreendente não é o carnavalesco, mas a dona da fábrica de lâmpadas.

Carnaval alienado

Não fosse a chegada do Óvni de Anapurus, ainda estariam chorando por monstros e fantasmas que mataram de susto sabiá e beija-flor.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A coisa

Ainda que digam ou pensem o contrário, o Óvni que caiu nesta quinta-feira em Anapurus (a 280 km de São Luís) não saiu da cabeça dos monstros que a Beija-Flor se inspirou para contar os assombros e assombrações da capital quatrocentona, garantiu um carnavalesco.

Olhei detidamente a foto, e vi o óbvio: o troço tem forte semelhança com a barriga do homem e da mulher grávida que vieram ver “o estrondo do fim do mundo”.

A outra ilha

Jornais cariocas registraram a detenção, “por ato obsceno”, de centenas de foliões que elegeram as ruas do Rio o melhor banheiro público no carnaval.

Cento e cinco mulheres ajudaram a formatar a estatística dos mijões carnavalescos. Entre os 782 homens flagrados, quatro estrangeiros.

Nenhum jornal ludovicense, creio, se deu ao trabalho de ir catar quem nos três dias regou as ruas do centro histórico com litros de urina estimulada a cerveja e folia.

Não sei quanto ao Rio, mas aqui entornar urina em público se converteu em hábito diário. A qualquer hora, qualquer lugar.

Há décadas fazem a praça Deodoro de banheiro ao ar livre; há décadas odor fétido eterniza a Praia Grande; há décadas não há poste “enxuto” nos arredores dos largos juninos.

Não há terreno baldio, praça, elevado, adro e avenida onde os mijões não deixem a sua marca subversiva.

O culto ao excremento desumano é herança maldita dos “antepassados” europeus?

Inútil quantificar tantas dívidas, tantas dúvidas.

Caso um dia as chuvas deixem São Luís, a cidade receberá título certo: Ilha dos Maus Odores.

Tantas dores, tantos desamores.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quarta-feira de Cinzas

Sabiá, beija-flor

Asas muitas

Pouco voo.

Os desalentos do além

Bita do Barão se cuide.

Com fama de “macumbeiro”, Laíla, o diretor da Beija-Flor, é capaz de querer abrir filial de terreiro no Maranhão, tantos os padrinhos, afilhados e encantamentos que recebeu aqui.

E Bita, quem diria!

Sambar assim após décadas de tambor e bons serviços.

A manguda e o rei

Figura fantasmagórica, vestida em chambre alvo e de mangas longas, a cabeça a emanar luz e fumaça.

Essa seria a “Manguda”, que punha meninos e adultos a correr na São Luís do início do século dezenove, no trecho hoje conhecido como praça Gonçalves Dias.

A “assombração” foi invencionice de contrabandistas – sobretudo de tecidos europeus – com o objetivo de afastar bisbilhoteiros.

O apelido “Manguda" veio das mangas largas e compridas.

Resgatada pela Beija-Flor, a criatura por pouco não virou boneco de Olinda.

E o Dom Sebastião, o touro negro coroado?

Saiu de férias ou do catálogo oficial de lendas de ocasião?

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Terror barato

São Luís é a capital nacional do terror.

Lembram de Thriller, de Michael Jackson?

Pois foram chafurdar as tumbas de Hollywood para compor alegorias e pantomimas da Beija-Flor.

E a manguda? Podre de chique, nem a reconheci.

E a serpente de prata que rodeia a ilha reapareceu em trajes de ouro em pó, e maquiagem da Lancôme.

E na terra do sabiá, corre, corre, que Nha Jansen vem te pegar.

São Luís, quatrocentos anos de assombrações e assombros.

“Atenas brasileira, Jamaica brasileira”.

Só um monstro a ousar a comparação.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A flores e os espinhos

Em madrugada de homenagens a São Luís e a Joãosinho Trinta, chega pela Globo a cobrança pelo “esquecimento”, no desfile da Beija-Flor, a outro maranhense famoso: o pedreirense João do Vale, morto em dezembro de 1996.

“Pisa na fulô, pisa na fulô / Pisa na fulô, não maltrata meu amô...”.

Só assim a gente ia saber quem, atrás de beija-flor, sua flores pisou.

Cozinha de escândalos

A presepada de voltar a sediar uma Copa do Mundo de Futebol deveria custar ao país em torno de R$ 42 bilhões.

Deveria.

A dois anos do evento, o dinheiro torrado até agora ultrapassou R$ 72 bilhões.

Serão doze sedes no Brasil, quando os outros anfitriões tiveram oito.

Após a competição, exceto nos estados do Sul e Sudeste haverá estádios suntuosos e vazios país afora.

O custo de manutenção desses colossos virá dos cofres públicos.

Os gastos com a copa sugerem baita corrupção e mil e um arranjos para favorecimento de “amigos” e aliados políticos.

Não é de hoje que a coisa pública e o esporte se locupletam em longa lista de irregularidades.

Lembra do Panamericano no Rio?

Pois você e eu somos os únicos.

O Pan carioca tinha previsão de desembolso de R$ 400 milhões. Custo final: R$ 3,5 bilhões.

Construída em cima de um pântano, a Vila do Pan está afundando.

O velódromo e complexo aquático Maria Lenk? Abandonados.

Qual o preço de uma Copa do Mundo?

Um ego feminino sem eco.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

No reino da imaginação

São Luís vai reinar na Sapucaí na madrugada dessa segunda-feira.

Tomara que não no reino do faz de contas.

Implicâncias à parte, nove e meio milhões de bênçãos à escola de Nilópolis que vai cantar a Upaon-Açu quatrocentona.

E não será por falta de torcida e brincantes que a Beija-Flor deixará de faturar o décimo terceiro título.

Quem não deixou a cidade rumo ao interior foi flagrado no interior de bares e boates cariocas, em preparo etílico intensivo para o desfile.

Serão duas alas maranhenses na avenida. Outros dois mil, por baixo, foram claquear parentes e amigos e arriscar migalhas no concorridíssimo camarote governamental.

Caso a Beija-Flor seja campeã, a TAM fechará 2012 nas nuvens.

Já imaginaram Neguinho e batuqueiros puxando o raiar do dia na Litorânea?

Festança de semana inteira, no mínimo. Prepare contas e ressaca!

A santa no carnaval

Sábado de carnaval, e olhei Nossa Senhora.

Nossa Senhora do Sagrado Coração de Maria.

Estava envolta em capa de veludo, mas ainda assim a reconheci.

Um desconhecido a segurava, desajeitado.

“Isso são modos de carregá-la!”
, protestei em silêncio, entre ele e eu distância e pressa de não sabermos pra quê.

Há anos Nossa Senhora vem aqui em casa uma vez ao mês, sempre no dia 3.
Há cinco anos é invariável o ritual.

Wilna a recebe pela manhã, cedinho, faz preces, a entrega em outra casa no dia seguinte.

O círculo de orações se fecha na última moradia. E ali reinicia.

“Eta, não há quem reze mais que essa gente!”.

Perguntar por quem rezam, rezam por quê?

Sou besta não de perguntar.

Em tempos magros de fé, benditos os que veem além do próprio ego.

E a santa?

Recebeu lugar cativo à mesa, não há assunto entre quarto e cozinha que não palpite.

Alguma queixa?

Nenhuma. Nem pela insistência do salgar dos assados, que desconfio ser dela. Só desconfio. Mexer não mexer com coisas de família.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Calendário apertado

Brasileiro é louco por carnaval?

Apesar das evidências, a festa não era unanimidade nacional em 2004.

Naquele ano, somente 41,2% gostavam de carnaval, enquanto 57,4% não queriam nem ouvir falar do assunto, apontou pesquisa patrocinada pela CNT-Sensus.

E o que gostava o brasileiro, então?

Férias e feriados.

Para azar pátrio, agora em março, 31 dias, nenhuma folga no calendário.

O prato da casa

Convidado por parentes que aqui residem a degustar mariscos na Litorânea, o viajante proclama maravilhas do sabor das iguarias.

Ávido por levar a boa nova aos amigos, chama o garçom e pede folderes da casa, com a descrição dos pratos típicos.

Vendo o aperreio do homem, a sobrinha simplifica o troço.

- Um cartão do restaurante, moço!

- Nem aquele outro, nem cartão. Aqui a gente só trabalha com caranguejo e peixe. E dinheiro à vista. A máquina quebrou desde a semana passada, e não vi o dono ir buscar conserto.

Rapa alegórico

Carnaval paulista.

Basta uma espiada e a certeza: criatividade, celulites e silicones são cópias malfeitas do Rio.

E as mulatas estonteantes?

Manufaturadas em São Cristóvão ou no Brás?

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Dízimo em primeira pessoa

Qualquer troco a mais vale a pena
Quando a sacola não é pequena

Impróprio para menores trechos

Setor hoteleiro de São Luís espera 95% de ocupação no período carnavalesco.

Os turistas viriam fazer o quê, aqui, nessa época?

As diárias estão impróprias ao amor.

As praias, impróprias ao banho.

Os pratos típicos, ao bolso.

As notícias locais, ao coração.

O carnaval se mandou de asas e ninho em asas de beija-flor.

É impróprio perguntar quanto custa a passagem de volta?

Dançou

E o Hemomar intensifica a coleta de sangue nessas horas que antecedem o carnaval.

Difícil tem sido encontrar algum folião disposto a estender a veia que não seja aos prazeres do álcool e da carne.

Em todo caso, o órgão deve tentar plantão à porta do IML ou da concentração da Beija-Flor.

Afinal, não há chique neste estado de graça que não tenha transferido sangue e poupança em ajuda à escola carioca.

A coitada estava com asas partidas, descobriu-se a tempo.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Uma parte da outra parte

Não conheci Marcelo Dino, o garoto a abandonar sonhos aos treze anos.

Mal conheço o pai, Flávio Dino, a quem só sei a renúncia da carreira na magistratura federal e o perseguir de sonho político.

Como faço há vinte anos, lembrei-me também hoje do domingo à noite em que Flávio nos deixou.

Revi meu pai a chorar pelo filho mais amado e que não pudera acudir.

Meu pai

. A dor pelo câncer, a outra pelo arrancar de uma perna – tiquinhas, inexpressivas, diante do filho inanimado e pétreo.

“É apenas o corpo”, disse-lhe, a voz num engasgo a tentar lhe roubar angústia jamais minha.

Não era.

“O tempo cura a todas as feridas”, sempre ouvi.

Qual? O que não conheci ou veio por comida e carinho lá em casa?

“O tempo amiga a todas as feridas”, reescrevi quando papai foi ao encontro do filho.

E o que era dor ficou maior que o adeus imaginário e infindável.

E ficou porque resistiria à vida.

Ainda que uma parte teime em ficar, a outra parte de mim foi embora numa noite de domingo.

Big indisgestão

Para quem insiste em engolir bucha e canhão, e meter o bedelho em "guerra" que não é sua.

O poeta

"Não tenho metas
Ou objetivos a alcançar.
Tenho princípios
E na companhia deles
Nem me pergunto
Aonde vou chegar."


Os “versos” são de Carlos Ayres Britto, o poeta-ministro que assume a presidência do STF em 19 de abril, em substituição ao ministro Cezar Peluso.

Que tenha melhor sorte no Supremo.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Ziriguidum

Agosto de 1928.

O Rio de Janeiro assiste a criação da primeira escola de samba do país: a “Deixa Falar” , mais tarde rebatizada “Estácio de Sá”.

No início do século XIX, os entrudos tomavam de assalto as ruas do Rio.

Há bons registros do Carnaval no Brasil “independente” de 1822.

Bilac, o poeta, via na festa uma volta temporária aos tempos dos costumes bárbaros.

Ao contrário do que muitos supõem, o carnaval não nasceu brasileiro, mas europeu.

Rei Momo, pierrô e colombina não primos ou parentes distantes do curupira ou do saci-pererê.

Carnaval.

"Período anual de festas profanas, originadas na Antiguidade e recuperadas pelo cristianismo, e que começava no dia de Reis (Epifania) e acabava na Quarta-Feira de Cinzas, às vésperas da Quaresma [Festejos populares provenientes de ritos e costumes pagãos, caracterizavam-se pela liberdade de expressão e movimento.]”, anota o Houaiss.

As marchinhas – gênero musical em extinção – contribuíram decisivamente para a popularização da festa. Braguinha foi mestre insuperável na matéria.

Mas se o carnaval não nasceu no Rio, foi ali que se transformou em espetáculo internacional.

Belíssimas mulheres seminuas, licenciosidade, cifras estupendas a garantir o luxo e a grandiosidade dos desfiles.

E o Rio inventou as escolas de sambas puxadas pelo jogo do bicho e, mais tarde, pelo tráfico de drogas.

O carnaval “nacional” é indústria efervescente e ininterrupta. Trezentos e sessenta dias por ano, noite e dia.

E as belas mulatas, “de requebros febris”, foram trocadas por musas televisivas e pelo culto ao silicone e "bombas" de academia.

O Carnaval do futuro, só a Globo dirá.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O diabo a quatro

Conheço a expressão de menino e até hoje a ela recorro quando quero algo mais pungente que a palavra que não vem.

“O secretário fez o diabo a quatro nos quatro meses em que permaneceu no cargo”.

“Mulher diabólica. Fez... com o marido e, não satisfeita, ordenou sua morte pelo não-pagamento da pensão”.

“Apesar de denúncias da imprensa, o governo faz... com os assalariados”.

“O diabo a quatro” é herança de família.

Não sei de tempo bom ou ruim lá em casa que não a trouxéssemos a tiracolo.

Talvez papai a tenha trazido do seu Ceará ou mamãe do seu Curador.

Só coisa assim a explicar o juntar de dois mundos, e o fazer de outros cinco.

“O diabo a quatro”.Melhor isso que de quatro ao diabo.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A primeira estação

A São Luís da década de sessenta não possuía rodoviária.

O primeiro esboço de estação surgiu na rua de Santana, bem em frente a casa onde nasci, quase canto com a avenida Magalhães de Almeida.

Da Agência Trindade partiam as jardineiras rumo ao interior, os ônibus a irem desbravar o sedutor Rio de Janeiro.

Rodei nas jardineiras com minha mãe e irmãos. Carros adaptados, as laterais escancaradas ao poeirão de caminhos que ninguém sabia onde iam dar. Eta Presidente Dutra pra lá do fim do mundo!

Menino, ficava horas à espreita do mundaréu de gente no ir e vir da agência.

Há mulheres com frasqueiras, calça de helanca, o toço na cabeça a encobrir laquê e grampos. Atracas? Por certo, estão por perto.

Meu Deus! Porque as fez tão desmilinguidas?

Que tanto carrega esse povo? Puba, camarão seco, pamonha, um picuá de saudade?

Um dia vieram abaixo a primeira estação e o prédio que a revestia.

Nem a temível broca da doutora Ilse conseguiu deter o bate-estacas e a destruição do tempo.

Nem ônibus ou jardineiras ficaram em meus olhos.

Nem isso Santa Ana deixou.

Sexta-feira de Cinzas

Porque era sexta-feira, uma matilha de cães vadios perambulou em algazarra pela tarde da praça Pedro II.

Porque não havia quem os incomodasse, tomaram de assalto a vizinha Benedito Leite.

Porque não mais incomoda a podridão das praças e ruas de São Luís, os dois esgotos abertos no largo do imperador ficaram à espera dos turistas.

Porque próximo do Carnaval, partiram para não voltar.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Elementar

Durante anos, dia ou noite, setecentos alunos encontraram o “Guru” das notas e aprovações fraudulentas no Uniceuma.

Descoberto o esquema, não há quem mais o encontre.

Não seria o caso de pedir ajuda aos universitários?

E que tal o guru digital da moçada: o Facebook?

Jogo de sombras

Procon e Vigilância Sanitária liberam Box Cinema, no São Luís Shopping.

Incrível. Em dois dias a empresa cumpriu todas as exigências de higienização engavetadas durante anos.

Curiosidade de cinéfilo.

Em qual filme as baratinhas aprenderam técnicas de camuflagem para escapar dos dois órgãos?

Sherlock Holmes 2 (O jogo de sombras) ou Viagem 2 (A ilha misteriosa)?

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Foi ele, foi ele sim...

“São Luís dos 400 Carnavais”.

400?

E o primeiro grito carnavalesco?

Jerônimo de Albuquerque, Daniel de La Touche ou de um tupinambá?

A marca que desmarca

Confesso não ter detectado nenhum semelhança entre a marca dos 400 anos de São Luís com a dos 400 anos de Melbourne, na Austrália, exceto...

... exceto o gosto duvidoso de ambas.

No caso ludovicense, cores profusas a mascarar problemas em profusão.

Mas reconheça-se. Tratar distúrbios quatrocentões exige mais que uma marca.

Que tal bolsa de canguru ou a faca multiuso do Crocodilo Dundee?

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Carga pesada

Maranhão precisa de 22 aterros sanitários.

Enquanto não vêm, a população se sentiria mais segura caso pudesse contar com pelo menos um banheiro público.

Aliás, você conhece algum em São Luís?

Não as vias públicas, não em público.

O vento e a venta

Decoração de Carnaval cai sobre carro na rua do Passeio.

Uma placa de metal, e sem nenhum folião ferido. Ainda bem.

A segunda, em dois dias de pré folia. Já pensaram se despenca o camarote da “São Luís dos 400 carnavais”?

Três rajadas de vento, seguidas, teriam provocado o acidente, segundo relato de uma testemunha.

Um espanto a “ventania” não ter levado o expectador a cair de venta no carnaval carioca.

Feito beija-flor sem asas.

Confissão de crimes

O Vaticano fala em “resposta inadequada” aos quatro mil casos de pedofilia e abusos sexuais a menores que a Igreja protagonizou nos últimos dez anos.

Resposta inadequada ou falta de resposta a crimes em nome da fé?

Por menos, muito menos, a Inquisição mandou para a fogueira milhares de “bruxas, hereges e pervertidos”.

Simplista, o papa Bento XVI prega "profunda renovação da igreja em todos os níveis".

Depois de descer a esse nível, qualquer fossa séptica parecerá profundamente limpa.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O luxo é um lixo

Com a interdição do Box Cinema, o São Luís Shopping perde a melhor – e talvez única referência – como centro de compras.

E sob ameaça de ter suas lojas entregues às moscas, os investidores sentirão saudade das baratinhas e dos gritinhos nervosos da gente soçaite?

Pensando alto.

Há público em São Luís para tantos shoppings ou é preciso mais e mais para que a lavanderia exponha a roupa do dia sempre impecável?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Maranhão no Terra

As belezas naturais do Maranhão, e de São Luís, estampam o Terra (www.terra.com.br) nesta segunda-feira de lua de encher os olhos.

Assina o trabalho de vinte páginas o PrimaPagina, responsável pela concepção do portal de notícias.

As belas fotos – sem o crédito do autor – compensam a superficialidade dos textos.

Para quem vai conferir:

http://www.terra.com.br/turismo/infograficos/turismo-no-maranhao/#!/o-estado

Zona de guerra

São Luís, 59 homicídios em janeiro.

E aqui a polícia não está em greve.

E se não está, onde está?

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O aviso da juíza

Aviso afixado à porta do gabinete da juíza Tania Sardinha Nascimento, da 22ª Vara Cível do Rio de Janeiro:

“Se você não é Buda, Moisés, Jesus Cristo ou Maomé ou a Rainha de Sabá, Cleópatra ou Elizabeth I, ou o seu cliente não vai morrer se eu não despachar o seu processo neste exato momento, deixe, por favor, o processo vir à conclusão normalmente”.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Decolagem cancelada

Olha, já vi troço encalacrado, mas... ninharia frente o aeroportinho do Tirirical.

Quando a gente pensa: o trambolho vai decolar, eis que...

“Aeroporto tem apenas 35% das obras concluídas... Infraero confirma entrega da reforma em 31 de março... Superintendente, entretanto, não descarta um novo adiamento...”.

Entenderam? Nem eu.

Para ajustar minha bússola.

Fizeram o quê esse tempo?

Brincaram de aviãozinho?

Nas asas da liberdade

Conhecem os “pombais” ao lado do Makro, no Angelim?

Antes de julho, os felizes moradores terão único obstáculo até a vida nova: o elevado da Cohab.

Melhor que providenciem asas, desde logo, caso pensem em deixar o inferno de carros, buzinas e histerias.

E antes da primeira viajem pela Via Expressa, farão tour gratuito por via crucis interminável.

Viva a modernidade!

Fazendo água

É deveras preocupante a notícia da penhora de R$ 400 mil das contas da Caema, em razão de serviços não-executados na melhoria do abastecimento de água em Sucupira do Norte.

Rezemos.

Para que a retirada não afete os planos do novo sistema Italuís, não prosperem os processos pelos seguidos rompimentos da adutora, outros municípios também sedentos não raspem o fundo do poço, não nos mandem formar fila para os caminhões-pipa, não confundam o bolso do consumidor com a dor que consume o bolso.

E sem perder o rumo da prosa.

Em qual margem do Itapecuru a companhia irá alcançar a vultosa quantia?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Inferno astral

Caso seja verdade que o “guru” atuou na elevação espiritual de notas de mais setecentos alunos do Uniceuma, quem garante não ter materializado sonhos acadêmicos em outras universidades ou no Enem?

Com concorrente desse nível, é um mistério a prestigiada instituição de ensino não ter ido à bancarrota.

Alalaô


Hemomar lançará campanha para manter estoque de sangue no Carnaval.

Sangue, no Carnaval?

Nem Sangue de Momo (nem sei se ainda existe a tintura).

E que tal plantão carnavalesco no IML?

Pelo número de corpos que recebe o instituto nos fins de semana, o banho de sangue é garantido.

Fala sério!

Beija-Flor vai usar cinco toneladas de búzios para falar de São Luís.

É beija-flor ou cata-búzios?

E a autorização para a retirada de milhares de moluscos das praias da ilha?

Da Secretaria de Meio Ambiente ou de Iemanjá?

Pois a escola se cuide.

Dá azar danado mexer com as encantarias do Maranhão.

E no Rio, não tem Búzios não, hein?

Nem Beira-Mar?