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sábado, 11 de fevereiro de 2012

A primeira estação

A São Luís da década de sessenta não possuía rodoviária.

O primeiro esboço de estação surgiu na rua de Santana, bem em frente a casa onde nasci, quase canto com a avenida Magalhães de Almeida.

Da Agência Trindade partiam as jardineiras rumo ao interior, os ônibus a irem desbravar o sedutor Rio de Janeiro.

Rodei nas jardineiras com minha mãe e irmãos. Carros adaptados, as laterais escancaradas ao poeirão de caminhos que ninguém sabia onde iam dar. Eta Presidente Dutra pra lá do fim do mundo!

Menino, ficava horas à espreita do mundaréu de gente no ir e vir da agência.

Há mulheres com frasqueiras, calça de helanca, o toço na cabeça a encobrir laquê e grampos. Atracas? Por certo, estão por perto.

Meu Deus! Porque as fez tão desmilinguidas?

Que tanto carrega esse povo? Puba, camarão seco, pamonha, um picuá de saudade?

Um dia vieram abaixo a primeira estação e o prédio que a revestia.

Nem a temível broca da doutora Ilse conseguiu deter o bate-estacas e a destruição do tempo.

Nem ônibus ou jardineiras ficaram em meus olhos.

Nem isso Santa Ana deixou.

Sexta-feira de Cinzas

Porque era sexta-feira, uma matilha de cães vadios perambulou em algazarra pela tarde da praça Pedro II.

Porque não havia quem os incomodasse, tomaram de assalto a vizinha Benedito Leite.

Porque não mais incomoda a podridão das praças e ruas de São Luís, os dois esgotos abertos no largo do imperador ficaram à espera dos turistas.

Porque próximo do Carnaval, partiram para não voltar.