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terça-feira, 31 de julho de 2012

Refaça as contas

Estão habilitados 550 jornalistas para a cobertura do “Mensalão”.

Vamos imaginar que cada profissional produza lauda diária de trinta linhas sobre o julgamento.

Ao final do dia haverá 16.500 linhas de texto. Em uma semana, 115.550.

Esse material estampará jornais, saites de noticiário, noticiários de tevê e blogs.

Tevês, rádios e revistas farão matérias especiais e documentários.

“Mensalão” e “mensaleiros” serão tão importantes quanto as eleições.

Quanto tempo irá durar o julgamento? Três meses, em análise mais otimista.

Em noventa dias você terá lido 1.485.000 linhas sobre os 36 réus, as biografias, o triste drama das famílias, as memórias do “escândalo”.

E terá visto ou ouvido centenas de entrevistas e gravações.

Ao final do “bombardeio” se perguntará: o chefe da “quadrilha” era José Dirceu ou uma tal Marília de Dirceu?

Hesitante sobre quem de fato fez o quê, dirá aos amigos:

- “Mensalão” era quando o salário espichava até o final do mês e o dinheiro não enganava a gente!

Eu tenho a força!

Lula virá em agosto a São Luís dar uma força na campanha do candidato do governo à prefeitura.

O ex-presidente terá dupla e árdua missão em solo ludovicense: vai tentar forçar a barra com o Washington Luiz a tiracolo, e forçar os portões de castelo que parece mais teimoso que o Palácio do Planalto.

O estilo de cada um

As Olimpíadas vão lavar a vergonha cívica dos políticos brasileiros.

Ainda que a quase totalidade já ensaie lágrimas pra outubro, nada será comparado ao chororô dos atletas nacionais em Londres.

Caso a modalidade seja reconhecida pelo COI, o país poderia reivindicar pódios e medalhas por antecipação.

Candidatos derrotados, por exclusão.

Quando a ficha não limpa

Algum candidato já foi em seu bairro, sua escola, seu Twitter ou Facebook?

Sorte sua!

Em política, pior que ficar na rua da amargura é amargar a limpeza pública de uma cidade de promessas.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Os críticos

Candidatos a prefeito criticam o prefeito-candidato na tentativa de arrancar votos do líder nas pesquisas.

O prefeito-candidato critica o governo estadual na tentativa de encobrir falhas da gestão municipal.

O governo critica a quem pressente o seu candidato em estado crítico.

Acostumado a críticas, o povão rirá das críticas que sustentam os críticos.

Autocríticas?

É tempo de eleição, não de críticas à razão.

Ouviu?

Propagandas de qualquer natureza – sobretudo eleitorais – deveriam ser proibidas nos fins de semana.

Ah, os candidatos não mais picham paredes ou colam cartazes!

Engano.

Paredes, muros e portas dos meus olhos e ouvidos sinalizam exatamente o contrário.

domingo, 29 de julho de 2012

Adeus!

Nenhum candidato a prefeito de São Luís empreendeu caminhada na Rua Grande esta semana.

E daí?

Para a maioria, o caminho estreito em beco escuro começa a dividido com mosquitos, picadas e febre alta.

Aviso de caça

As maranhenses reclamam sem razão.

Dos 4.588.855 eleitores do estado, 3.490.132 são solteiros – ou afirmam ser.

Em São Luís, mais de 70% dos 678.70 votantes estão “disponíveis”.

A quê, só as que muito caçam - e não caçam votos - podem descobrir.

Os miseráveis

Os números do TRE-MA são implacáveis.

Dos 6.574.789* habitantes do Maranhão, 4.588.855 são eleitores aptos a votar.

Do total de votantes, 1.391.533 têm o ensino fundamental incompleto e 994.913 “sabem ler e escrever” – o que é questionável porque a informação é do declarante.

Analfabetos? 632.731.

Eleitores com curso superior? 56.905.

Com espantosa miséria educacional, ainda há quem queira “governar a pobreza”.

* segundo o censo 2010, do IBGE

A mensageira

Aos sábados, invariavelmente, ela telefonava com alguma morte a contar.

Detalhes sucintos, profissionais, o suficiente para o ouvinte saber logo: alguém importante batera as botas.

Não sei quanto tempo depois, e a narrativa foi substituída por mensagem de texto.

Três ou quatro linhas, e ali estava vida inteira.

Não havia dúvidas. Minha amiga se tornara especialista em despachar defuntos. Sem flores, sem floreados.

Acostumei-me a esperar as mensagens. Apostava comigo. Naquele sábado ninguém morreria, e nada de texto.

Por volta das seis da tarde o telefone toca, na linha a voz inconfundível da mensageira.

Conversa vai, conversa vem, e nada de um mortinho baixo clero. Procurava boa desculpa para findar a lengalenga, quando ouvi grito medonho:

- Aiiiii!

- O quê foi? – perguntei assustado.

- Matei uma barata!

Os sem-rumo

A recente pesquisa “Quem não gosta do meu vereador?” trouxe a público novo fenômeno eleitoral em São Luís: os sem-voto.

Pior que eles, no momento, só os sem-legenda, sem-dinheiro, sem-padrinho.

Salve-se quem souber

Começou cedo o pula-pula eleitoral.

Cedo demais, avalia quem entende de naufrágios e tragédias do ramo.

Ninguém quer ser visto com candidato perdedor; integrar chapa que não se coça nem pro ônibus e merenda; caminhar ao lado de quem duvida do próprio voto; viver em Washington quando aqui lhe acenam uma Holanda.

Há quem sonhe contemplar mar azul de um castelo ou palácio; quem espere a virada da maré; quem não feche os olhos por medo de gama de pesadelos.

Há quem tenha pulado do barco, quem queira pular e não saiba nadar, e quem não sinta ser ele a âncora.

sábado, 28 de julho de 2012

Bis fora do tom

Pela primeira vez, em décadas, São Luís acorda e amanhece em época eleitoral sem milhares de decibéis a azucrinar essa cidade de juízo pouco.

Elogiável a atitude dos candidatos, não fosse o “jeitinho” que encontraram para burlar a proibição do som alto.

Fácil, fácil demais!

Aumentaram o número de carros de som e, também, o número de vezes que passam em cada rua, cada bairro.

Nem tortura chinesa produz melhor efeito. Lembram a gota d´água contínua sobre a moleira do torturado?

Na minha rua, eleitor ardoroso manda ver a música de campanha do prefeito-candidato quantas vezes o aprouver.

Seja dia, tarde ou noite. Seja sábado, domingo e feriado, a tal da “eu quero ele de novo” soa pior que dor de cabeça sem fim. Se você quer, problema seu.

E nem adianta recorrer a outro candidato, que o manda-chuva daqui tem o controle de carros de som e dos números próximos e distantes do “45”.


Onde moro?

“Moro onde não mora ninguém, onde não vive ninguém, onde não passa ninguém...”.

Deus me livre de divulgar endereço a candidato que nem conheço!

Chateado

De conhecido gozador ao ver foto da candidata Eliziane Game em chat pela internet:

- Agora que ela conhece os problemas micro, espero que tenha um tempinho para as soluções macro.

É chat ou quer mais?

Voz feminina na campanha a prefeito de São Luís, a deputada Eliziane Gama não merece a pecha de candidata dos chatos ou da chatice.

O chat com amigos e internautas, divulgado em foto, ocorreu em momento de alta espiritualidade virtual.

“Não há a mínima possibilidade de bug na candidatura”, diz a assessoria.

Pelo sim, pelo não, candidata e correligionários caminham com gama de backups no bolso.

Com tudo em riba

Em agosto, São Luís será ponto de partida do Rali dos Sertões 2012.

Ao esquecimento da cidade no roteiro, Caxias anuncia desforra.

A “Princesa do Sertão Maranhense” tem convite especial para o campeonato estadual de esqui, que este ano será disputado nas gélidas encostas de Bacabal.

Quanto ao rali, cuidado com as gafes.

Pra começar, nem pergunte quando o marzão da capital virou sertão.

Areia de praia engrossa o ronco dos motores?

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Cachorrada histórica

E descobriram que São Luís está com o cão nos couros e milhares de cães nas ruas.

Não há bairro pobre ou chique, invasão, terreno baldio, igreja, palácios, ruínas, espigão e península sem latidos à vista e a perder de vista.

Nos comitês políticos, a ordem do dia é soltar os cachorros nos adversários. Quanta raiva a tanta raiva já sabida!

Políticos! Quem não vira a lata, tenta virar mesa e jogo.

Dezenas de entrevistas e alertas quanto ao risco de doenças, porém nenhum órgão de saúde pública balançou rabo e solução.

No centro histórico, a pequena turista caiu em prantos ao saber: não poderia adotar um au-au. “Esse bichinho é patrimônio da nossa cidade”, explicou o guia.

Ainda no centro correu versão inusitada da invasão canina.

Exigência de “Lado a lado” para dar mais realismo ao Rio antigo recriado em vielas e casarões ludovicenses.

Trata-se, é evidente, de boato maldoso sobre a novela global.

A quem mandariam soltar caso o enredo pedisse políticos da época do Império?

Nem ouso pensar em tamanha cachorrada.

Motos e pilotos

O anúncio “maior frota de motos do país” acelerou o coração de Vera Baldez.

A presidente do Moto Clube de São Luís disse não esperar o reconhecimento em tão pouco tempo de gestão, contudo se mostrou surpresa e emocionada com a notícia de que Sérgio Frota, o presidente do Sampaio Corrêa, também pilota no seu time.

A frota e a rota

Maranhão tem a maior frota de motos do país.

E também rota aberta ao roubo desses veículos.

Há quem garanta.

Em povoados da Baixada é mais fácil encontrar placa de identificação em cangalha de jumento.

Jogo fechado

Influenciados pelo desempenho da dupla Neto-Castelo, outros candidatos a prefeito de São Luís procuram no vôlei táticas de reversão ao baixo rendimento de campanha.

Há quem queira saber porque perdeu o jogo de cintura; quem queira evitar entregar fácil o campeonato ao adversário; quem queira entender porque a bola vai pra lá e pra cá, e nada.

A posição em quadra do candidato do governo é, no mínimo, desconfortável.

Ex-bancário, Washington Luiz está visivelmente fora de forma.

"Encontra dificuldades até mesmo nos saques eletrônicos", confirma um assessor.

A grande sacada

Dizem que o candidato a vice Neto Evangelista está com sério torcicolo.

O incômodo seria resultado dos seguidos jogos de vôlei que é obrigado a prestigiar.

E quem não sai de perto do garoto prestígio é o técnico e prefeito-candidato.

O homem cismou que o vice – por sinal, ex-atleta da modalidade – tem cara e jeitão do Giba, e vai atrair as fãs eleitoras dos adversários.

“Isso se chama jogar com a torcida”, teria dito, encantado com o prestígio do pupilo na ala feminina.

Em jogo recente da seleção maranhense, o prefeito foi chamado a dar saque inicial, contudo recusou o prestigioso convite.

“O prestígio do prefeito só permite cortes muito altos”, interpretou a crônica eleitoral.

A conselho médico, Neto pediu pra ficar de fora da programação esportiva da campanha, neste sábado.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Marcou bobeira

Sabe aquele candidato do interior que espalhou o slogan “sem ele, nem eira e nem beira existiriam”?

Pois é! A justiça eleitoral fez as contas e concluiu: a candidatura dele também não.

É da sua conta

Quer que qualquer coisa não dê certo no país?

Então espere que a transformem em lei.

Tome a “Lei do Ventre Livre” como exemplo histórico.

Com o preço da cesariana, qual cidadão não nasce escravo da conta médica?

Você é livre pra fugir dessa situação, claro, mas antes faça o favor de pagar a consulta.

Em nome do Pai

Aconteceu em paróquia em São Luís.

Durante a missa o dedicado pároco troca os nomes dos paroquianos aniversariantes do mês com o dos mortos a quem os familiares queriam lembrar na celebração.

Mal-estar intenso e compreensível assomou a todos.

Concluído o ato, alguém lembraria:

Em missa anterior, o religioso trouxera a público a lista dos dizimistas em débito com a contribuição.

A bem da verdade, descobriram mais tarde, e tarde demais, o homem de Deus quis nominar os fiéis que mais se destacaram nas obras sociais da sua paróquia.

“Morto” linguarudo

“mortos” que continuam a penar por abrir demais o bico.

Mortinho da silva, Francisco das Chagas Feitosa não se contentou com o outro mundo, e quis retornar a este na condição de candidato a vereador.

Na fosse a teimosia, e providencial ajuda da justiça eleitoral, jamais teria descoberto a própria morte, certificada por insuspeito atestado de óbito.

Anulado o documento, o quase defunto providenciou outro: agora, uma certidão de renascimento na riqueza.

Nascido em Teresina e feirante em São Luís, o ex-morto vai gastar R$ 300 mil na campanha.

Francisco Feitosa ou nada aprendeu nas feiras do além, ou está disposto a sustentar a nova vida com roça de abacaxis e pepinos.

R$ 300 mil limpinhos na campanha, e logo com a pindaíba estampada nos rostos de postulantes a cargos eletivos e eleitores?

O “morto” arranje cova mais funda a essa dinheirama, senão os muito vivos irão infernizar ad infinitum o seu outrora tranquilíssimo jardim da paz – seja dia de feira, segunda-feira ou feriado.

Pensando bem, a câmara de vereadores não pode ser pior que a câmara mortuária, pode?

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A tardia

A atriz Brooke Shields choraminga não ter feito sexo antes dos 22 anos.

E olha que na época já conheciam a fundo a lagoa azul!

Pé na estrada

Comunicado da 64ª SBPC:

Arqueólogos gregos encontram restos de estrada de 1.800 anos.

No Brasil, os arqueólogos engolem restos de poeira, desconfiam de qualquer presente grego e muito mais de quem os ofertou.

Tour eleitoral

Não foi surpresa entre participantes da 64ª SBPC a descoberta de novo dinossauro maranhense na Ilha do Cajual.

O verdadeiro achado, interpretam, seriam as pegadas largas e indeléveis do Flávio Dino na campanha eleitoral pela capital e interior.

Só por curiosidade científica.

Em época de eleições o presidente da Embratur faz turismo acidental ou incidental?

Aleluia, irmão!

Temos sabido dos mais estranhos remédios para as mais estranhas doenças e doentes muitíssimo estranhos.

O “leproso jurídico” com o qual se autodenominou Carlinhos Cachoeira é o superlativo dos superlativos, e algo que não se encontra na bíblia e nem em bula papal.

Se sequer a Vanessa Mendonça o livre da cara de Lázaro., é porque o homem espera o cristo certo e a ressurreição.

A lei é outra

Perguntaram a gestor municipal se não iria autorizar a divulgação da folha de pagamento do órgão na internet, em cumprimento à exigência da LAI.

- E o que diabos é LAI? – devolveu.

- É a Lei de Acesso à Informação – explicaram.

- Pois informe a que procurar a coisa que aqui a lei é outra, e folha não nasce em árvore enquanto eu não mandar pagar, entendeu?

Os assessores entenderam direitinho.

terça-feira, 24 de julho de 2012

É agora ou nunca

É maranhense, não nasceu em São Luís, contudo aquele título de Cidadão Ludovicense não lhe sai da cabeça?

Alegre-se!

A partir de outubro, a câmara receberá 11 novos hóspedes.

O crescimento vertiginoso da capital será acompanhado de perto por 31 vereadores.

Não é nada, não é nada, aumentam 67,7% suas chances de receber o diploma na próxima legislatura.

Portanto, câmera na mão desde já, e torcida para o pessoal não escapulir de fininho.

As contas do eleitor

Na pesquisa para a Câmara de São Luís, divulgada nesta terça-feira, 24, o surpreendente candidato “Não Sei, Não Respondeu” venceu, disparado, com 67,3% das intenções de voto.

“Ninguém”, o segundo concorrente melhor posicionado, conseguiu sensibilizar 3,4% dos 846 entrevistados.

Dos cem nomes da lista, 94 atingiram menos de 1% da preferência dos eleitores.

Pior que não ter um candidato a vereador é ter oitocentos e a certeza que nenhum deles vale voto de confiança.

Que números! Que eleição!

Vietnã forever

Há alguma explicação lógica para o aumento de 41% nas vendas de armas de fogo no Colorado, em menos de uma semana?

Pelo visto, o estado norte-americano onde ocorreu o massacre de fãs do Batman, na sexta-feira, espera ameaça mais nefasta que o Coringa.

É possível que Pinguim, Charada e Mulher Gato venham em trio atacar a pacífica filial vietnamita.

Os reis do improviso

Não há candidato – bem posicionado ou não em pesquisas – que caminhe pela Rua Grande ou Mercado do Peixe sem magote de soluções aos problemas de São Luís.

Não há assunto que desconheçam ou não dominem.

Entendem de abastecimento, saúde, educação, segurança pública, urbanismo, tráfego, patrimônio histórico, economia e planejamento familiar, jogo de dominó, desafiado, “porrinha” e briga de vizinho.

Sabem o que é preciso fazer para enfrentar e derrotar situações de caos.

São otimistas, até porque o pessimismo é a muleta dos derrotados.

Falam em nome do bem-estar coletivo, ainda que cada um afirme ser o único dono da varinha de condão e dos desejos.

Mal encerrada a campanha, São Luís retomará vidinha ao sabor do individualismo.

Com os derrotados ficarão as lamúrias e as boas ideias.

Nenhum, por mais chacoalhem, lembrará de nada do que disse em palanque e mandou lavrar em áudio, vídeo e cartório.

O vitorioso verá em tempo recorde que o ousado plano de gestão exige gastos demais para uma cidade sem recursos.

Sem outro recurso, recorrerá a modelo sempre eficaz: o improviso.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Campanha agitada

Engana-se quem pensa faltar agitação na campanha a prefeito de São Luís.

Moças e rapazes contratados não param um segundo sequer de tremular a bandeira dos candidatos em ruas e avenidas de grande movimento.

O prefeito-candidato parece levar vantagem na ação.

A ordem é para não trocarem de mão, mesmo que avistem carro de som desgovernado do Tadeu Palácio ou recebam bandeirada vermelha do Holanda Júnior.

Por R$ 20 diários, não há quem não fique trêmulo diante da generosa oferta.

Cidadania em prática

Oportuníssima a visita de candidatos a prefeito a ruas e feiras populares de São Luís.

A iniciativa merece aplausos.

Só assim o povão recebe aulas práticas de cidadania e aprende: quem possui mandato, quem nada manda, quem finge ser manda-chuva e quem é mandado.

Pirataria eleitoral

Ainda que o Brasil tenha grande tolerância com artigos piratas, pouca gente sabe: há um Partido Pirata em atividade no país desde 2007.

Pois o PPBr quer levar a bandeira da internet para a política e lançar candidatos a cargos eletivos já nas eleições de 2014.

Atualize “Favoritos” e programas.

Espanha e Alemanha têm partidos piratas em situação legal.

A justificativa europeia ao avanço da pirataria eleitoral é o descontentamento de eleitores com lideranças políticas.

Estão em alta no continente “novos” partidos e “novas”
propostas.

Em abril, na Alemanha, os piratas arrebataram 8% dos votos no Estado de Schleswig-Holstein, suficientes para chancelar a entrada do partido no Parlamento estadual.

Os piratas também conquistaram 7,5% dos votos da Renânia do Norte-Vestfália. Terão 18 cadeiras no parlamento do mais importante estado alemão.

Já pensaram chineses e coreanos em invasão congressista a Brasília?

domingo, 22 de julho de 2012

A namoradeira

Iziane não defenderá o basquete do Brasil em Londres.

Foi desligada pela ousadia de enfiar o namorado na concentração.

Outras atletas talvez quisessem o mesmo. Nunca o sacrilégio. Terão de conviver com cinto de castidade por bom tempo.

Com certeza, quando retornarem, terão perdido bem mais que o tempo. Tomara não percam o cinto e a viagem.

A celeuma amorosa logo na terra do príncipe Charles? Quantas renúncias por amor colecionam os ingleses?

O comitê olímpico vai liberar milhares de camisinhas aos atletas. O pula-pula sexual é permitido, não um parceiro exclusivo no clube das hortencinhas.

Jogadores de futebol ingleses e alemães abrem a porta da concentração a namoradas, esposas e litros de cerveja.

O futebol deles é pior que aqueles que se concentram em dinheiro e assédio?

O Brasil cinicamente pudico bate palmas ao corte de atleta que o envergonha. Herois metem a mão no erário e jamais erram cueca e meia.

Iziane é moleca atrevida. No caráter, no conduzir do jogo.

A moleca errou tanto na vida que o viver ainda teima com ela.

Não tenho receio ou dúvida em afirmar.

Iziane foi expulsa de quadra por ser negra, pobre e nordestina.

Tivesse nascido branca e no Sul ou Sudeste, nem o pedido de desculpas inventariam. Desculpas? Porquê?

Flor esquisita a hortência. Deixa cair pétalas, arremesa espinhos. Que logo encontre namorado. Caso não saiba onde, pergunte à namoradeira Iziane.

Votos de ouro

Araioses, Governador Newton Bello e Presidente Juscelino estão nas páginas do jornal O Globo.

Os três municípios do Maranhão formam lista com outras 97 cidades – as mais carentes do país.

As 100 têm o comum o baixíssimo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano); de incomum, a projeção de gastos com a campanha eleitoral.

Juntas, elas estimam torrar R$ 97 milhões nas eleições. E tudo em nome da democracia.

“Em Presidente Juscelino, o 28º pior IDH do Brasil, emprego só na prefeitura. Sem isso, os juscelinenses penam em bairros paupérrimos, onde a rede de água só cobre 41% dos domicílios. Ainda assim, os candidatos à prefeitura estimaram despesas de até R$ 368,64 por eleitor. Por lá, são 8,8 mil os cadastrados para votar, e as estimativas de arrecadação dos aspirantes ao Executivo local somam R$ 3,25 milhões. Valor considerável numa cidade em que o PIB de 2009 — a última medição oficial — foi de R$ 38,4 milhões”, diz um trecho de “Eleição rica em meio à pobreza”.

Segundo a matéria, a prefeita Luciana Felix vai gastar R$ 1,2 milhão na reeleição em Araioses. Sobre o assunto se recusou a falar aos jornalistas.

Clique aqui para a íntegra da matéria.

Largado no azul


E Tadeu Palácio finalmente chegou à linha de largada da campanha.

Deixou de lado os carros de som vermelhos – as tais miniaturas da Ferrari –e avançou pela Rua Grande em pose de ex-piloto.

O ex-prefeito de São Luís quis lembrar o tempo de pódios e recordes, mas camelôs e comércio não caíram na lábia.

Antes de cravar qualquer palpite, querem ouvir o motor palaciano em outra coisa que não sejam as motos adaptadas. E ver se funciona.

Algo novo?

A camisa azul do candidato e correligionários.

A vermelha caiu em desgraça após Palácio despencar dez posições no grid holandês do Júnior.

“Daqui pra frente, tudo vai ser diferente”, cantam os palacianos.

Precisam afinar o coro, diz quem ouviu.

As talentosas

“Talento era mais importante que bunda”, reclama a atriz Suzana Vieira em entrevista.

A frase cabia direitinho quando as mulheres encaravam a vida de frente, quase nunca sem olhar pra trás, e talento pedia outros sinônimos.

Pois mudaram época, mulheres, talentos.

Ver o que se passa atrás do corpo é prática sagrada no universo feminino. E não só isso. É preciso medir, avaliar, comparar, certificar-se que o “investimento” rende os dividendos desejados.

Não à toa, creio, chamavam à bunda “poupança”.

E, dependendo do quanto “poupe”, a talentosa investidora logo terá mais em caixa que o bancador.

Já pensaram na catástrofe econômica de trazer ao mundo uma Mulher Pitomba?

Definitivamente, no mundo feminino, pior que o estar por baixo na vida, é o nada ter nas costas.

Não tem talento. Não desanime. Que tal ser atriz?

Caça aos sapos

Com folga nas pesquisas de intenção de voto, o prefeito-candidato quer gastar o tempo livre a caçar sapos em águas poluídas.

O homem ameaça rever a concessão da Caema e saber porque cobra por água e saneamento que não fornece a São Luís. E anunciou comissão para esmiuçar os contratos.

Os serviços deficientes afetam seriamente a saúde e a economia da capital, atirou.

O prefeito-candidato mirou laço em alvo antigo, contudo frases de efeito sempre têm a simpatia do consumidor em guerra contra quem avia a conta da dor.

Lembram da logomarca da empresa? Um sapo!

Sabem de algum a por ou lavar os pés onde a Caema pisou?

E você? Contou quantos engoliu?

Não se preocupe. Também enviei a pergunta à assessoria do candidato.

sábado, 21 de julho de 2012

O grande prêmio

Esqueceram por completo os 400 anos de São Luís.

Em má compensação, o que cantam de parabéns ao prefeito candidato, nem em mega-sena acumulada se vê igual.

Já pensaram se o homem bisa o La Ravardière?

Até outubro haverá melhor prêmio?

Perepepê global

Morreu Perepepê, a cachorra pug da Vera Loyola.

O jornal O Globo a eternizou em texto com foto.

E você? Qual globo da morte enfrentou esta semana?

A pug socialate, 12 anos, sofria de tireoide e diabetes. A doença a levou à cegueira.

Antes do último suspiro, foi levada a uma clínica na Barra da Tijuca.

Por mais que force a barra, o SUS não está nem aí pra quem te mordeu – e onde.

Um minuto de silêncio.

Saiba! A cachorrinha da Vera era mais importante ao país que teus intermináveis lamentos.

Quer um exemplo de valor?

A coleira de ouro e brilhantes da inditosa cadelinha foi leiloada em 2003 e serviu para nutrir os esfomeados do “Fome Zero”.

E você? O quê fez nessa época senão alimentar o seu pobre ego?

Se não tem pedigree e Perepepê em casa, pelo menos não crie Piripaque.

Racinha sem classe, essa, não?

Raivosos

Duas pessoas morrem vítimas de raiva humana em São Luís.

Duas?

Espere passar a eleição e conte os mortos por raiva e decepção.

Acidentalmente breve

Em São João Batista, Maranhão, criança de seis anos atira acidentalmente e mata irmã.

Acidentalmente, os de casa comiam quando ouviram o estampido.

Acidentalmente, o pai fabricava armas caseiras e deixava ao alcance dos filhos.

Acidentalmente, o casal não sabe explicar a tragédia.

Acidentalmente, uma menina de sete anos foi morta a tiro.

Acidentalmente, jamais saberá porque a vida dói demais.

Acidentalmente, homem e mulher espicharam o penar dos outros filhos.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Uma Ferrari a reboque

Olhando assim, o carro de som do Tadeu Palácio parece uma Ferrari.

O vermelho reluzente impressiona. Muito mais, as sucessivas quebras e a falta de ânimo diante da massa.

A todo vapor

Leio em jornal: "obras de prolongamento da Avenida Litorânea seguem adiantadas; máquinas da empresa operam a todo vapor para intensificar a obra".

As “obras” de parágrafo viraram “obra” no próximo, mas isso é o de menos.

O “máquinas a todo vapor” é o que de fato preocupa.

As geringonças evaporaram no início do século 20, tinha certeza.

Que o vapor litorâneo tenha melhor sorte!

Ensaie mais e não faça cena

Aonde foi parar o velho e bom sexo?

Caso não lembre o que era, siga a pista: o prazer dos amantes se reconhecia em rostos extenuados por felicidade cúmplice, cama e porta fechada suficientes a tanto desejo e lascívia.

Mas qual! Cena assim deve assombrar o imaginário de quem é do século passado ou os museus da pré-história.

Não há sexo atual que resista a uma boa exposição pública.

Quanto mais o público souber o que o casal faz, como faz e quantas vezes faz, mais amplas as chances de que ambos garantam mídia farta no dia seguinte.

É dispensável qualquer roteiro amoroso, desde que haja por perto câmera fotográfica ou filmadora, e quem saiba transformar intimidade em publicidade. E bem rápido, ou será de outro o recorde pelo hit.

E a mocinha recatada e pudica trocará o falido pequeno príncipe pelo inesgotável reino das pulitricas.

E virão contratos, convites para entrevistas, propostas por trabalho artístico ainda mais ousado.

Desmentidos, raiva e ameaças de processo são peças do jogo de cena. Garantem, no mínimo, cachê dobrado.

Pior que a invasão de big brothers é o aceno de fama e oscares a qualquer ator canastrão.

A memória por um fio

Uso de fio dental pode proteger contra perda de memória.

Antes de cuidar da cabeça, portanto, cuidado com o que diz entre dentes.

Caso não queira desfilar no estilo “loira burra”, nem tente lembrar qual das duas peças a boca veste melhor.

Ainda mais surpreendentes que os achados científicos, os cientistas não estabeleceram correlação entre a cárie, o tártaro e a perda de memória dos micros atuais. Por enquanto.

Sinceramente, não lembro se esses e outros assuntos palpitantes entram em pauta na 64ª SBPC, no domingo, em São Luís.

E a greve da Ufma? Caiu no esquecimento?