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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Meu nome é Gal

Estrela fulgurante nos anos 80 e 90, Gal Costa deveria reinar única na festa de anúncio da ampliação do São Luís Shopping, na semana passada.

Deveria.

A cantora baiana deu chilique ao perceber a voz ameaçada pelo burburinho dos convidados.

Partiu sem esquecer o tradicional mal-educados.  

Chiadeira

Lojistas do São Luís Shopping estão furiosos com os gestores do empreendimento.

O motivo da zanga passa pelo anúncio de ampliação do centro de compras e estaciona na época de início da obra.

Temem que o quebra-quebra afugente os clientes do Natal e Ano-Novo para outros shopping da capital.  As duas datas puxam o pico anual de vendas.

Preferiam os serviços em janeiro, quando o comércio é tradionalmente fraco.

Exceto para colégios, livrarias e farmácias, convém assinalar.  

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Apressadinhos

Há nos Leões quem queira antecipar o quanto antes a sucessão da governadora Roseana Sarney.

Mais que a ameaça Flávio Dino aflora incerteza sobre a saúde de Edison Lobão para disputa do cargo em 2014.

O ministro seria o nome mais forte do grupo, concordam. 

Caso não reúna condições, terá a preferência político leve e com trânsito livre em todos os partidos.

O pré-lançamento da candidatura Luís Fernando Silva, por exemplo, não foi recebido com simpatia por maioria de deputados e prefeitos.

O primeiro choque

Um amigo da família diz duvidar que o prefeito eleito Holanda Júnior abandone o perfil de filho obediente pelo de afilhado submisso às vontades do padrinho Flávio Dino.

“Seria uma punhada certeira no pai”, acredita.

Dino não parece disposto a aparecer como coadjuvante na vitória de Holanda Júnior. Precisa dele para montar a estratégia da candidatura a governador em 2014, e vai cobrar a conta do apoio.

Por conta disso, e de outras pendengas, há quem sussure:

O primeiro choque entre vitoriosos ocorreu ontem (segunda-feira), em presença do contrariado vice Roberto Rocha 

A discussão foi acalorada, garantem.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Na seca

Há quatro anos órgão de assessoramento da prefeitura não recebe água pelas torneiras. 

Há quatro anos as contas não são pagas.

Há quatro anos, a cada quinze dias, alguém lembra de enviar carro-pipa.

Há quatro anos, para beber, os servidores compram água ou a levam de casa.

Há quatro anos o órgão recebe material de experiente a conta gotas.

Há quatro anos os servidores esperam mudanças.

Esse é um dos pequeninos problemas que o novo prefeito deve tentar solucionar nos próximos quatro anos.

Fora do ar

José Raimundo Rodrigues não mais integra da TV Difusora.

Diretor de Jornalismo da afiliada local do SBT, o apresentador do “Maranhão Agora” foi demitido pela exibição do “Vídeo das Milícias” em seu programa.

Ele teria descumprido ordem do comando da emissora, que proibira a apresentação do material no qual bombeiros e policiais militares arquitetam suposta milícia em favor do hoje prefeito Holanda Júnior.  

A Difusora terá que pagar multa de R$ 200 mil pela rebeldia de José Raimundo.

“Maranhão Agora” foi substituído por “Na Hora D”, com o jornalista Olavo Sampaio.

Escritos perigosos

João Castelo promete livro de memórias na aposentadoria.

Resta saber se a afirmativa é verdadeira ou vem a reboque da ainda indigesta perda da prefeitura de São Luís.

Difícil imaginar o ex-governador abandonando a vida pública por derrota eleitoral. Sofreu outras, e sabe as “regras” do troca-troca.  

“Palavra de político não dura 24 horas”, costuma proclamar Paulo Maluf.

Quanto ao livro, caso o autor ponha no papel, sem retoques, o que sabe e vivenciou em 41 anos politicagens, a República dos Becos virá abaixo.

Para noites que começam

Após quatro séculos São Luís sofre segunda invasão holandesa.

A noite será pouca para os vitoriosos.

Por vida longa no poder terão brindes e vinhos.

Há quem cante, dance, solte fogos; quem faça planos em meio a tantos danos. 

E porque a noite mal começa, guardem lenços e choros a quem tanto ri.
 

domingo, 28 de outubro de 2012

De novo?!!!

Sensação de vazio invadiu sessões de votação em São Luís.

Eleição rápida? Não, abstenção recorde, segundo os mesários.

Singela homenagem

A placa é de rua em Oeiras, Portugal.

Imagine o exemplar indicativo no Brasil.

Faltariam vias, por certo, a tantos homenageados.

João do Rio

“Nas sociedades organizadas interessam apenas: a gente de cima e a canalha. Porque são imprevistos e se parecem pela coragem dos recursos e a ausência de escrúpulos”.

Sacada genial de Godofredo de Alencar, um dos muitos pseudônimos de João do Rio, jornalista e intelectual que escandalizou o Rio de Janeiro do início do século XX.

Seu nome de batismo: João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto. O Paulo Barreto aparece em vários escritos.

Foi o primeiro jornalista a escrever em jornais sobre a dura realidade dos morros cariocas.

Era useiro e vezeiro dos lugares estranhos e nada recomendáveis, segundo visão da época.

Vestia-se com refinamento e ostentação, não importa onde estivesse. Nesse quesito, era um "dândi de salão", diziam.

Trouxe também aos leitores, em crônicas imperdíveis, os rituais de macumba e toda sorte de gente socialmente excluída.

Muito moreno (quase negro), homossexual e culto (traduziu Ibsen e Oscar Wilde), João do Rio era sucesso de público.

Tanto sucesso o levou a colecionar uma multidão de inimigos e críticos vorazes, o maior deles Humberto de Campos.

A inimizade estrangulou de vez com a eleição do escritor maranhense para a Academia Brasileira de Letras. O episódio serviu de pretexto para que João do Rio se afastasse em definitivo da ABL.

No círculo de amigos íntimos, nada menos que a americana Isadora Duncan – virtuose da dança.

João do Rio morreu em 1921, aos 39 anos.

Clique aqui para ler crônicas de João do Rio


sábado, 27 de outubro de 2012

Foi o vento

Ninguém a conhecia.

Uns dias sorridente e conversadeira, outros de azedume sem igual.

“Ficou assim desde que pegou um vento em São Paulo”, contou a irmã.

Por mais perguntássem, jamais souberam do tal vento.

Troço assim não passe por aqui.


Pescarias e pecadores

O “debate” de ontem à noite – o segundo em uma semana – mostrou o que qualquer cidadão sensato sabe.
 
Castelo e Holanda Júnior buscam o confronto verbal por motivo comum: a falta de propostas ou projetos para São Luís.
 
Os raros lampejos pareceram retirados da cartilha eleitoral de cada comitê.
 
Tirassem câmera e microfone, um convidaria o outro para chopinho na Litorânea e boas risadas.
 
Acompanhamento? Isca de eleitor.
 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Sortudo

Familiares e amigos do ministro Edison Lobão respiraram aliviados.

Devido à forte medicação, o titular de Minas e Energia “apagou” antes da contenda Castelo x Holanda Júnior e do blecaute nordestino.

A gosto do freguês

Entreouvido na Praça João Lisboa, hoje pela manhã:

A luta Castelo x Holanda Júnior conseguiu por frente a frente a surdez contra a insensatez.



Combate Mortal 2

Lutadores de MMA soltaram os cachorros ao ser informados que a TV Mirante (afiliada da Globo) não conseguiu convencer Galvão Bueno a narrar a luta de hoje dos candidatos a prefeito de São Luís.

Ao saber do combate na “Jamaica Brasileira”, Galvão teria confidenciado a amigos ter medo que atirassem contra ele mais que pedras de responsa.



Combate mortal

O ministério de Minas e Energia desconfia. O “apagão” que atingiu esta madrugada o Nordeste, Tocantins e Pará – e supostamente partiu do Maranhão – tem tudo a ver com o pugilato verbal dos candidatos a prefeito de São Luís.

Mal Holanda Júnior e João Castelo recuaram as metralhadoras giratórias, grande parte do país entrou no escuro, e de lá só saiu horas mais tarde.

Precavido, o ludovicense não quer saber de surpresas no debate de hoje.

Desde as primeiras luzes da manhã tem sido intensa a procura por velas e lamparinas na cidade.

Católicos e evangélicos pediram ajuda à Cemar para iluminar os caminhos dos dois candidatos.

A empresa energética disse não poder garantir nada além do estacionamento da emissora.









quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Enfim, lá!

Uma equipe do Houaiss chega a São Luís nas próximas horas.

Vem analisar a possível inclusão no dicionário do “Parecer Documentoscópico” emitido a título de laudo pericial do tal “Vídeo das Milícias”.

Na pressa pelo veredito, o perito escreveu “Parecer Documentóscopico”, mas, enfim, nem o que está escrito nas escrito nas estrelas aparece claro nas lentes do Hubble.

“Foi a vontade férrea de deixar o parecer aparecer”, justifica um lexicógrafo ludovicense.



Vai tarde

“As leis são como as mulheres, existem para serem violadas”.

José Manuel Castelao Bragaño, do PP (Partido Popular) espanhol, foi o autor do desastre.

“Está tudo bem. Há nove votos? Coloque 10… As leis são como as mulheres, existem para serem violadas”, teria dito o ex-deputado ao saber que faltava apenas um voto para oficializar a ata da reunião da comissão de Educação e Cultura do órgão que presidia.

A reação imediata e enérgica da sociedade e jornais levou Bragaño a pedir demissão do cargo no governo.

O mandato de quatro anos mal chegou a uma semana.







Multa global

Rede Globo é multada em R$ 1 milhão por graves irregularidades trabalhistas

Segundo o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, a Procuradoria do Trabalho da 1ª Região encontrou um cardápio com várias opções de irregularidades trabalhistas na Rede Globo do Rio de Janeiro: casos de funcionários com expediente de mais de 19 horas e desrespeito ao intervalo mínimo entre expedientes (11 horas) e não concessão do repouso semanal remunerado. “Foi constatado excesso de jornada e que este excesso é habitual, e não extraordinário”, explica a procuradora Carina Bicalho, do Núcleo de Combate às Fraudes Trabalhistas.

Acordo firmado entre a empresa e o Ministério Público (MP) no fim de 2011 trouxe como resultado que a Rede Globo vai ter que contratar 150 jornalistas e radialistas para suas redações, além de pagar uma multa de R$ 1 milhão de reais.

Nos últimos cinco anos, esta foi a terceira vez que a emissora do Jardim Botânico teve constatadas irregularidades quanto a jornadas de trabalho. Com este acordo na Justiça, a Globo promove nos últimos meses a prática de novas escalas, garantindo folgas aos jornalistas e mais respeito aos intervalos interjornadas.


* com informações do Pragmatismo Político

O lavatório

Mais de 300 bombeiros trabalharão no 2º turno em São Luís.

Depois do tal vídeo das milícias, resta saber para qual candidato e fazendo o quê.

O Holanda Júnior, nesse momento, preferiria banho de água fria, e bem longe de olhos famintos pelo poder.

Castelo intensifica os banhos de cheiro. Quer todo o mau olhado contra ele documentado, analisado e, se possível, aniquilado até sexta-feira.

Há quem tenha recomendado aos dois não lavar a roupa suja em público. Poupem folêgo e água, ouviram.

“Afundem os maus pensamentos nas águas agora despoluídas das praias da capital”, diz nota da Saúde.

Quem não entrou no vídeo, lava as mãos com sabão neutro.



quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Trânsito intransitivo

A SMTT inaugurou tratamento de choque no trânsito de São Luís.

Na tarde desta quarta-feira, agentes da secretaria recebiam carros no sentido Via Expressa e os despachavam rumo à Curva do 90.

Os motoristas seguiam em filas alternadas, e sob a batuta de sinalização manual.

Filas? O esquema não foi pensado, estudado e anunciado para eliminar congestionamentos?

Ao cair da tarde, nenhum dos agentes usava colete luminoso.

Combinação perfeita com o belo crepúsculo do Cohafuma e adjacências.

Espere crescer a árvore de problemas que pretendem plantar em outros pontos nevrálgicos da cidade.







Alerta vermelho

Se há necessidade de tropas federais para o segundo turno em São Luís, as eleições para o governo do Estado em 2014 podem exigir bem mais.

Não seria conveniente, desde agora, deixar em alerta o Conselho de Segurança da ONU?

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A ligação

Um amigo há anos desiludido com política e políticos liga com pergunta única:

- Por que policiais militares e bombeiros insuflam companheiros com discurso inflamável a favor de um candidato a prefeito, e não demonstram idêntico entusiasmo no combate ao crime em São Luís?

Ante o meu silêncio, que deve ter soado como falta de reflexão sobre o assunto, ele dispara:

- Porque combater crimes só dá mídia positiva em filmes e novelas, meu caro.

O amigo desliga o celular e nem sequer espera que me recobre do espanto.





segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Aos que viam demais


"Todos os Olhos", elepê de Tom Zé de 1973, expõe na capa uma das maiores pilhérias da música brasileira.

O disco trazia um olho que todos se perguntavam de quem era, menos os censores da ditadura militar.

Como ninguém nunca descobriu o mistério, o próprio compositor – autor com várias músicas censuradas – decidiu contá-lo.

O tal olho eu um cu no qual foi adaptada bola de gude.

A ideia veio do poeta Décio Pignatari.

- Vamos sacanear estes caras... Por que não colocamos um cu na capa?

A princípio, Tom Zé mostrou relutância:

- Tá maluco? Como vamos fazer isso? Vamos ser presos!

Consentiu, entretanto, ao ouvir o “plano” engenhoso.

O "modelo" foi um achado de Décio. A foto foi obtida em foco fechado.

O disco lançado pela gravadora Continental é uma raridade.















Palíndromos

Sabe o que é um palíndromo?

É uma palavra ou um número que se lê da mesma maneira, nos dois sentidos, normalmente da esquerda para a direita, e ao contrário.

Exemplos: ovo, osso, radar.

Também se aplica a frases, embora a coincidência seja tanto mais difícil de conseguir quanto maior forem elas.

Eis alguns dos melhores palíndromos da língua portuguesa:

ANOTARAM A DATA DA MARATONA

ASSIM A AIA IA A MISSA

A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA

A DROGA DA GORDA

A MALA NADA NA LAMA

A TORRE DA DERROTA

LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL É COR AZUL

O CÉU SUECO

O GALO AMA O LAGO

O LOBO AMA O BOLO

O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO

RIR, O BREVE VERBO RIR

A CARA RAJADA DA JARARACA

SAÍRAM O TIO E OITO MARIAS

ZÉ DE LIMA RUA LAURA MIL E DEZ



Chamas da ambição

É fato gravíssimo.

Holanda Júnior vai precisar de guarnição completa do Corpo de Bombeiros para tentar conter os estragos de vídeo explosivo, onde militar da corporação incita companheiros de farda a apoio ao candidato e a sabotagem explícita da campanha de João Castelo – ambos com o assentimento do deputado federal.

No vídeo, o grupo se propõe a formar milícia para interferir no processo eleitoral.

outro incêndio contra Holanda nas ruas. A suposta briga do mentor Flávio Dino no TRE para divulgação de pesquisa favorável ao protegido.

Os marqueteiros de Castelo entraram rápido em cena.

A notícia já foi plantada em blogs locais e nacionais, com destaque para o de Reinaldo Azevedo, de Veja.

Confira abaixo:

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Vale-tudo

Um passageiro da TAM, procedente do Rio, fotografava em detalhes sua mala tão logo a retirou da esteira do aeroportinho do Tirirical, neste domingo, por volta do meio-dia.

Além da alça partida, vários arranhões.

O caso tipifica algo comum nos aeroportos do país: a falta de cuidado com as bagagens. A chiadeira é enorme.

No Galeão, por exemplo, câmera interna de tevê mostra quando são atiradas, literalmente, no carro de transporte.

Você não vê, mas ocorre ato bem pior no arremesso de pertences no compartimento de carga das aeronaves.



domingo, 21 de outubro de 2012

A grande farsa

A revista de bordo da TAM, de outubro, traz página publicitária da Infraero sobre novos terminais entregues e obras em curso pelo Brasil.

O aeroportinho de São Luís é citado no segundo caso.

A valer o que diz a Infraero, foi uma farsa, portanto, a reinauguração do Tirirical em agosto, após reforma que durou dois anos e meio.





O valor do voto

Quantos votos teria um presidente, prefeito ou vereador, não fosse a dinheirama a correr frouxa a cada eleição?

Lembre o candidato de votar nele, pois o apoio da família e amigos vale cachê eleitoral.

Ah, o voto é obrigatório!

É, e te manda para o purgatório.



Novos capitalistas

Os banqueiros internacionais estão interessadíssimos em nova e promissora carteira de clientes no Brasil.

De Norte a Sul, não há quem entenda melhor do sistema financeiro hoje que os moradores de rua.

Difícil encontrar uma agência onde não durmam à porta, saibam horários, procedimentos, melhores fundos de investimento e garantam vigilância 24 horas contra roubos. E tudo isso em troca de esmolas ocasionais e xixizinho nos acessos.

É questão de dias. Bancários e seguranças privados estão com dias contados.

sábado, 20 de outubro de 2012

Aprendendo com o caos

Ganhe ou perca segunda chance no La Ravardière, João Castelo tem gestão marcada por verdadeiro fenômeno.

Há menos de dois anos São Luís em peso gritava Caostelo, em protesto que se espalhou por imprensa, carros e redes sociais. São Luís dos Buracos, ouvia-se em cada canto.  

Umas pinceladas de asfalto pela cidade, e o caos desapareceu rápido.

Castelo não faz má administração. Dois pecados? Falta de mídia forte e descuido sistemático com o trânsito.

A uma semana do segundo turno, o prefeito-candidato segue à caça de Holanda Júnior. A diferença de 20 pontos caiu para 10.

Quem ganha a disputa?

Sei lá, mas tomará que São Luís não perca. E muito.

Urnas no escuro

Castelo e Holanda Júnior respiram parcialmente aliviados.

Descobriram que grande número de eleitores indecisos quanto à escolha do novo prefeito de São Luís era motivada pela ansiedade da descoberta do assassino do vilão Max, de Avenida Brasil.

Curiosidade satisfeita, agora preocupa aos dois a escuridão da Via Expressa.

Lanterna à mão, o prefeito-candidato nega expressamente um blecaute na campanha.



Alerta eleitoral

Aviso aos navegantes:

Segunda-feira, 22, é Dia do Comerciário, e não do comércio de votos.

Aliás, o 30 de outubro parece que foi vendido a retalho.

Nada a ver com política e políticos, portanto.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O dia em volante fanho

- Viu, viu, viu aí o que ele ia fazer? Pensa que apavoro, pensa?

Disse isso e virou o rosto, os olhos cerrados, a cabeça quase deixando o carro.

- É garotão, é garotão! Sei pela música, música de garoto. Pensa que se bater perco dia? Perco não, mas ele perde o carro. Que é que o senhor acha?

- Desculpe, não vi direito... – tentei, sem querer insistir no papo, agradecido aos céus pelo fim da corrida. 

- Não viu, não viu? Tava tudo ali pra qualquer ver... Ei, ei, não tem nota menor, não?

Motorista fanho e com estresse do trânsito. Lembrarei na próxima vez que entrar num táxi.

- Ei, ei, não vai esquecer o paletó, tá?





A cor da riqueza

João Carlos Cavalcanti.

O nome sacoleja com força incomum o negócio mineral.

Perito em descobrir jazidas gigantes, o geólogo baiano contudo recorre a método sem nenhum cientificidade para chegar a patrimônio que supera R$ 2 bilhões: as conversas com o mundo espiritual. Ele dá outra versão para o sucesso: trabalho.

Contam que acorda diariamente às 3h da manhã e logo entra em contato com entidades cósmicas, que seriam de fato quem lhe revelam as riquezas.

Crendice ou não, o ex-sócio de Eike Batista – e que hoje processa o antigo parceiro – é citado como um dos bilionários do país, ao lado do próprio Eike.

Em abril, uma das empresas de Cavalcanti anunciou ter encontrado na Bahia depósito com 28 milhões de toneladas de neodímio – mineral raro e com largo emprego na alta tecnologia.

O neodímio nacional – ou melhor, de Cavalcanti – só encontra teor de pureza e quantidade idêntica na China.

Crendice ou não, o descobridor de minerais há anos se veste inteiramente de preto.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Trocando as bolas

O casal ao meu lado no avião leva papo apimentadinho.

Assuntos de sexo vão e ficam, e tento não ouvir a conversa alheia. Impossível, diante das “juras” e “amorecos” a cada momento.

Para comemorar o primeiro ano de casamento, lua-de-mel no Rio, contam-me. Covardia!

Quase metade do voo e a noivinha mostra ao marido uma revista feminina.

O que ela quer que ele veja, e leia, é um artigo sobre os encantos do pompoarismo.

O homem não parece muito entusiasmado com o convite, mas cede aos rosnados da sedutora.

O restante da história. Sei não. Despedimos-nos no aeroporto.

Pobre noivo. Nem imagino o que vai ser a vida do coitado se a novinha troca as bolas e decide investir no novo negócio.



Receita perdida

Certas pessoas deveriam ser proibidas de ir a restaurantes. Sobretudo, de abrir a boca enquanto os outros comem – ou tentam.

Na mesa ao lado da minha, duas mulheres não param de tagarelar.

Em poucos instantes “aprendo” variedade de pratos novos, e para o que servem certos alimentos. E deitam falatório enquanto se empanturram de xícaras de café.

- A beterraba substitui perfeitamente a carne.

- Quem sofre de hipertensão e das coronárias não pode passar sem cebola.

- O chuchu é diurético, sabia?

Meia hora de conselhos, recomendações e cuidados no preparo de legumes e verduras, e saio do local frustrado.

As marocas dissecaram a cozinha da Ofélia, mas não disseram uma palavra sobre qual receita cala gente faladeira.



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Contado no pingado

Dois milhões de passageiros devem passar pelo aeroportinho de São Luís até o final do ano.

Passar vergonha muita, e tão perto do Natal.

Na tarde desta quarta-feira, a sanfona de embarque de voo da TAM com destino ao Rio foi decorada com baldes e vasilhas em razão de defeito no sistema de refrigeração.

As moças dos serviços gerais riam do pinga-pinga incessante. Também ri, e quem mais passava fazia coro.

Aliás, o sistema de ar-condicionado do aeroportinho só existe na planta.

Inaugurado há dois meses, pifou de emoção após dois anos e meio da obra. Continua.

Lá fora o clima é bem mais agradável, mesmo com o calorão a sufocar a ilha.

Caso você esteja na lista dos dois milhões, não esqueça de levar sua quentinha ou marmita.

Restaurante no Tirirical?

Esqueça. Em obra assim, nada de bom sobra.




A Suíça em alerta

Neutro e também conhecido mundialmente por relógios e queijos famosos, a Suíça realizou exercícios militares em setembro como forma de se precaver de conflitos internos decorrentes de tropeços econômicos e agravamento da crise do euro na Europa. Dois mil soldados participaram das manobras.

O ministério da Defesa está em alerta para escalada da violência na Europa caso a crise persista, e admite que o país pode receber refugiados da Grécia, Espanha, Itália, França e Portugal – os mais afetados pelas medidas econômicas.



terça-feira, 16 de outubro de 2012

Os muros e os sustos

Tente entender o que ninguém entende.

Candidatos diretos à prefeitura de São Luís, Castelo e Holanda Júnior aparentam neutralidade diante do imobilismo de quem prometeu descer do muro, mas longe das câmeras choram em muro de lamentações.

Há quem afirme no La Ravardière.

A turma a dividir muro à espera do primeiro tombo é bem maior que o eleitorado da Eliziane Gama e o Movimento Sem Terrinha do Washington Luiz.



Neutros, mas nem tanto

Muito estranho o surto de neutralidade de políticos de São Luís nessa reta final de segundo turno.

Cristão novo, ou ateu histórico, virou moda entre eles: estão mais neutros na disputa pela prefeitura que plateia estudantil em concurso de calouro.

Podem apostar.

Ao anúncio do vencedor, a tal neutralidade vai parar no beleléu.

É comentário corrente.

O "tô nem aí" de candidato bem posicionado no primeiro turno vai valer a ele indicação certa a vice-governador em 2014.



O partido e as galinhas

- Se tivesse dois apartamentos de luxo, doaria um para o partido?
- Sim - respondeu o militante.
- E se tivesse dois carros de luxo, doaria um para o partido?
- Sim - novamente respondeu o valoroso militante.
- E se tivesse um milhão na conta bancária, doaria 500 mil para o partido?
- É claro que doaria - respondeu o orgulhoso companheiro.
- E se tivesse duas galinhas, doaria uma para o partido?
- Não - respondeu o camarada.
- Mas porque doaria um apartamento de luxo se tivesse dois, um carro de luxo se tivesse dois, e 500 mil se tivesse um milhão, mas não doaria uma galinha se tivesse duas?
- Porque as galinhas eu tenho.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Farsa à mineira

TIRADENTES, UMA FARSA CRIADA POR LÍDERES DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA


Ele estava muito bem vivo, um ano depois, em Paris. O feriado de 21 de abril é fruto de uma história fabricada que criou Tiradentes como bode expiatório, que levaria a culpa pelo movimento da Inconfidência Mineira. Quem morreu no lugar dele foi um ladrão chamado Isidro Gouveia.

A mentira que criou o feriado de 21 de abril é: Tiradentes foi sentenciado à morte e foi enforcado no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, no local chamado Campo da Lampadosa, que hoje é conhecido como a Praça Tiradentes. Com a Proclamação da República, precisava ser criada uma nova identidade nacional. Pensou-se em eternizar Marechal Deodoro, mas o escolhido foi Tiradentes. Ele era de Minas Gerais, estado que tinha na época a maior força republicana e era um polo comercial muito forte. Jogaram ao povo uma imagem de Tiradentes parecida com a de Cristo e era o que bastava: um “Cristo da Multidão”. Transformaram-no em herói nacional cuja figura e história “construída” agradava tanto à elite quanto ao povo.

A vida dele em poucas palavras: Tiradentes nasceu em 1746 na Fazenda do Pombal, entre São José e São João Del Rei (MG). Era filho de um pequeno fazendeiro. Ficou órfão de mãe aos nove anos e perdeu o pai aos 11. Não chegou a concluir o curso primário. Foi morar com seu padrinho, Sebastião Ferreira Dantas, um cirurgião que lhe deu ensinamentos de Medicina e Odontologia. Ainda jovem, ficou conhecido pela habilidade com que arrancava os dentes estragados das pessoas. Daí veio o apelido de Tira-dentes. Em 1780, tornou-se um soldado e, um ano à frente, foi promovido a alferes. Nesta mesma época, envolveu-se na Inconfidência Mineira contra a Coroa portuguesa, que explorava o ouro encontrado em Minas Gerais. Tiradentes foi iniciado na maçonaria pelo poeta e juiz Cruz e Silva, amigo de vários inconfidentes. Tiradentes teria salvado a vida de Cruz e Silva, não se sabe em que circunstâncias.

Tiradentes, maçonaria e a Inconfidência Mineira: Como era um simples alferes (patente igual à de tenente), não lideraria coronéis, brigadeiros, padres e desembargadores, que eram os verdadeiros líderes do movimento. Semi-alfabetizado, é muito provável que nunca esteve plenamente a par dos planos e objetivos do movimento. Em todos os movimentos libertários acontecidos no Brasil, durante os séculos XVIII e XIX, era comum o "dedo da maçonaria". E Tiradentes foi maçom, mas estava longe de acompanhar os maçons envolvidos na Inconfidência, porque esses eram cultos, e em sua grande parte, estudantes que haviam recentemente regressado "formados” da cidade de Coimbra, em Portugal. Uma das evidências documentais da participação da Maçonaria são as cartas de denúncia existentes nos autos da Devassa, informando que maçons estavam envolvidos nos conluios.
 

Os maçons brasileiros foram encorajados na tentativa de libertação, pela história dos Estados Unidos da América, onde saíram vitoriosos - mesmo em luta desigual - os maçons norte-americanos George Washington, Benjamin Franklin e Thomas Jefferson. Também é possivel comprovar a participação da Maçonaria na Inconfidência Mineira, sob o pavilhão e o dístico maçônico do Libertas quae sera tamen, que adorna o triângulo perfeito, com este fragmento de Virgílio (Éclogas,I,27) Tiradentes era um dos poucos inconfidentes que não tinha família. Tinha apenas uma filha ilegítima e traçava planos para casar-se com a sobrinha de um padre chamado Rolim, por motivos econômicos. Ele era, então, de todo o grupo, aquele considerado como uma “codorna no chão”, o mais frágil dos inconfidentes. Sem família e sem dinheiro, querendo abocanhar as riquezas do padre. Era o de menor preparo cultural e poucos amigos. Portanto, a melhor escolha para desempenhar o papel de um bode expiatório que livraria da morte os verdadeiros chefes.

E foi assim que foi armada a traição, em 15 de março de 1989, com o Silvério dos Reis indo ao Palácio do governador e denunciando o Tiradentes. Ele foi preso no Rio de Janeiro, na Cadeia Velha, e seu julgamento prolongou-se por dois anos. Durante todo o processo, ele admitiu voluntariamente ser o líder do movimento, porque tinha a promessa que livrariam a sua cabeça na hipótese de uma condenação por pena de morte. Em 21 de abril de 1792, com ajuda de companheiros da maçonaria, foi trocado por um ladrão, o carpinteiro Isidro Gouveia. O ladrão havia sido condenado à morte em 1790 e assumiu a identidade de Tiradentes, em troca de ajuda financeira à sua família, oferecida a ele pela maçonaria. Gouveia foi conduzido ao cadafalso e testemunhas que presenciaram a sua morte se diziam surpresas porque ele aparentava ter bem menos que seus 45 anos. No livro, de 1811, de autoria de Hipólito da Costa ("Narrativa da Perseguição") é documentada a diferença física de Tiradentes com o que foi executado em 21 de abril de 1792. O escritor Martim Francisco Ribeiro de Andrada III escreveu no livro "Contribuindo", de 1921: "Ninguém, por ocasião do suplício, lhe viu o rosto, e até hoje se discute se ele era feio ou bonito...".

O corpo do ladrão Gouveia foi esquartejado e os pedaços espalhados pela estrada até Vila Rica (MG), cidade onde o movimento se desenvolveu. A cabeça não foi encontrada, uma vez que sumiram com ela para não ser descoberta a farsa. Os demais inconfidentes foram condenados ao exílio ou absolvidos.

A descoberta da farsa: Há 41 anos (1969), o historiador carioca Marcos Correa estava em Lisboa quando viu fotocópias de uma lista de presença na galeria da Assembléia Nacional francesa de 1793. Correa pesquisava sobre José Bonifácio de Andrada e Silva e acabou encontrando a assinatura que era o objeto de suas pesquisas. Próximo à assinatura de José Bonifácio, também aparecia a de um certo Antônio Xavier da Silva. Correa era funcionário do Banco do Brasil, se formara em grafotécnica e, por um acaso do destino, havia estudado muito a assinatura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Concluiu que as semelhanças eram impressionantes.

Tiradentes teria embarcado incógnito, com a ajuda dos irmãos maçons, na nau Golfinho, em agosto de 1792, com destino a Lisboa. Junto com Tiradentes seguiu sua namorada, conhecida como Perpétua Mineira e os filhos do ladrão morto Isidro Gouveia. Em uma carta que foi encontrada na Torre do Tombo, em Lisboa, existe a narração do autor, desembargador Simão Sardinha, na qual diz ter-se encontrado, na Rua do Ouro, em dezembro no ano de 1792, com alguém muito parecido com Tiradentes, a quem conhecera no Brasil, e que ao reconhecê-lo saiu correndo. Há relatos que 14 anos depois, em 1806, Tiradentes teria voltado ao Brasil quando abriu uma botica na casa da namorada Perpétua Mineira, na rua dos Latoeiros (hoje Gonçalves Dias) e que morreu em 1818. Em 1822, Tiradentes foi reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira e, em 1865, proclamado Patrono Cívico da nação brasileira.


* O texto acima é de autoria do jornalista Guilhobel Aurélio Camargo. Autor dos sucessos editorais 1808 e 1822, Laurentino Gomes diz não haver evidências históricas de que a narrativa acima seja verdadeira, e acrescenta: o que se conhece de fato sobre Tiradentes está nos livros.