Anel de
"prata portuguesa" no dedo, cordas alemães no violão, o conhecido boêmio saca
repertório brasileiro ao público inteiramente cativo.
Após
exercícios quase infinitos, entrecortados por alternância de cerveja e cachaça,
a voz grasnada rasgará a noite, tal as rasga-mortalhas em sobrevoos de agouro,
ele mesmo uma ave que a tudo aprendeu das muitas noites de São Luís.
Voz e
instrumento revivem Noel Rosa.
E mal ambos
principiam, o momento é interrompido para anotação grave sobre música e
compositor.
"Essa é do tempo em que o poeta andou pelos states ensinando os gringos a tocar o violão brasileiro”, e emenda
o comentário com relíquias históricas do foxtrote e jazz.
E não se
atrevem a desdizê-lo, até porque o artista demonstra imensa intimidade no
expor dos gêneros e expoentes.
Mas
estávamos em Noel... Estávamos.
Voz e violão
tomam de assalto os domínios do samba de breque, desafiam os versos Buarquianos,
descobrem novas emoções em Roberto Carlos, o Carlinhos.
Ninguém
duvida. O artista é um Carlitos em tempos modernos.
Vereador de São Luís é assaltado em R$ 30 mil enquanto almoçava em restaurante.
A vereança mal comemora o reajuste de 52,9% no soldo, e aparece quem aja mais rápido que o parlamento municipal.
Saque mortal assim, nem nos tempos do velho oeste americano.
Só por curiosidade.
Qual o cardápio de quem leva R$ 30 mil para almoçar?
A prefeitura de São Luís e servidores
municipais deveriam sorrir de lamúrias e infortúnios, e afogar as mágoas no Carnaval.
Se por aqui a situação parece sem solução,
o que dizer do Zimbabue, onde o governo só tem em caixa 161 euros, ou 217 dólares.
A extraordinária soma – que no
momento representa as reservas cambiais do país africano – foi anunciada na
terça-feira, após o pagamento do funcionalismo público.
“Alguns servidores zimbabuenses devem
ser mais ricos que o próprio Estado”, comentou o ministro das Finanças, Tendai Biti.
E por aqui o funcionalismo dando piti porque receberá
os salários de dezembro em três parcelas.
Em São Luís, falta carro para atendimento na Delegacia
do Idoso.
E nas outras?
Idosos, disposição ou carros novos?
Polícia Federal prende treze fraudadores
previdenciários em Caxias, Maranhão.
Que lástima!
Após penca de abortos, morreu a terra
morena que pariu Gonçalves Dias e braços para a Balaiada.
São Luís está a poucas horas da receita da
imortalidade.
Visto que é terminante proibido adoecer a
quem não dispõe de dinheiro ou plano de saúde, só falta agora os coveiros do
município abandonarem pás e covas por atraso de salário.
De jalecos vazios desde novembro, os médicos
do Socorrão II saíram na frente.
E o parcelamento de salários anunciado pela
prefeitura?
E aquele R$ 1 milhão que não conseguiu
levantar o Carnaval, e seria o abre-alas da Saúde?
Em fevereiro, tudo é hospital?
Descobrem casa estreitíssima na Madre Deus.
Construída sobre o passeio público, mal cabe o morador em pé.
Caso o Crea e a Blitz Urbana percorram meia
dúzia de bairros e conjuntos de São Luís, vão flagrar descobertas bem mais
interessantes, e em série.
Muros, casas, acréscimos e comércios que
engoliram calçadas; escadas de acesso a pavimento superior erguidas sobre o
passeio público; esgotos domésticos direcionados a sarjetas; animais a pastar
em praças; lixo atirado em qualquer terreno que julguem baldio.
As duas São Luís – a antiga e a “moderna” –
continuam inteiramente invisíveis a quem não quer ver.