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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O garfo do Diabo

No século XI, Teodora Ducas, uma princesa de Bizâncio ou Império Romano do Oriente casa-se com Domenico Silvio, um Doge de Gênova, o que equivalia a magistrado supremo das antigas Repúblicas de Veneza e Gênova.

A princesa, civilizada, leva um garfo na bagagem para Gênova e a ele recorre em uma cerimônia.

O que sobreveio a esse fato foi um escândo suficiente para a sua execração
pública, excomunhão e morte da infeliz.

A regra comum na época era comer o alimento com as mãos ou com a ajuda de uma faca.

A Igreja Católica viu o diabo no tal garfo. São Boaventura (1240-1284), famoso teólogo da Igreja, em sermão acusa a princesa de ímpia.

Teodora Ducas não tarda a adoecer e a morrer em circunstâncias estranhas.

A princesa teria sido castigada por Deus por sua soberba em usar um garfo - ferramenta do diabo - nas refeições.

Para a Igreja de São Boaventura, a antipatia pelo garfo era associada ao formato de tridente ou forcado do objeto. O tridente era instrumento que o diabo sempre carregava nas iconografias clássicas.

No Século XI, os católicos radicais julgavam que o alimento, dádiva de Deus, devia ser levado à boca pelas mãos sagradas dos homens e sem o auxílio de outros meios, a não ser uma faca.

No Século XI, o garfo tinha três pontas. A quarta e definitiva - que levou ao formato que hoje conhecemos - só seria incorporada bem mais tarde.

Sobre isso eu conto em seguida.
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