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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Receita perdida

Certas pessoas deveriam ser proibidas de ir a restaurantes. Sobretudo, de abrir a boca enquanto os outros comem – ou tentam.

Na mesa ao lado da minha, duas mulheres não param de tagarelar.

Em poucos instantes “aprendo” variedade de pratos novos, e para o que servem certos alimentos. E deitam falatório enquanto se empanturram de xícaras de café.

- A beterraba substitui perfeitamente a carne.

- Quem sofre de hipertensão e das coronárias não pode passar sem cebola.

- O chuchu é diurético, sabia?

Meia hora de conselhos, recomendações e cuidados no preparo de legumes e verduras, e saio do local frustrado.

As marocas dissecaram a cozinha da Ofélia, mas não disseram uma palavra sobre qual receita cala gente faladeira.



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Contado no pingado

Dois milhões de passageiros devem passar pelo aeroportinho de São Luís até o final do ano.

Passar vergonha muita, e tão perto do Natal.

Na tarde desta quarta-feira, a sanfona de embarque de voo da TAM com destino ao Rio foi decorada com baldes e vasilhas em razão de defeito no sistema de refrigeração.

As moças dos serviços gerais riam do pinga-pinga incessante. Também ri, e quem mais passava fazia coro.

Aliás, o sistema de ar-condicionado do aeroportinho só existe na planta.

Inaugurado há dois meses, pifou de emoção após dois anos e meio da obra. Continua.

Lá fora o clima é bem mais agradável, mesmo com o calorão a sufocar a ilha.

Caso você esteja na lista dos dois milhões, não esqueça de levar sua quentinha ou marmita.

Restaurante no Tirirical?

Esqueça. Em obra assim, nada de bom sobra.




A Suíça em alerta

Neutro e também conhecido mundialmente por relógios e queijos famosos, a Suíça realizou exercícios militares em setembro como forma de se precaver de conflitos internos decorrentes de tropeços econômicos e agravamento da crise do euro na Europa. Dois mil soldados participaram das manobras.

O ministério da Defesa está em alerta para escalada da violência na Europa caso a crise persista, e admite que o país pode receber refugiados da Grécia, Espanha, Itália, França e Portugal – os mais afetados pelas medidas econômicas.



terça-feira, 16 de outubro de 2012

Os muros e os sustos

Tente entender o que ninguém entende.

Candidatos diretos à prefeitura de São Luís, Castelo e Holanda Júnior aparentam neutralidade diante do imobilismo de quem prometeu descer do muro, mas longe das câmeras choram em muro de lamentações.

Há quem afirme no La Ravardière.

A turma a dividir muro à espera do primeiro tombo é bem maior que o eleitorado da Eliziane Gama e o Movimento Sem Terrinha do Washington Luiz.



Neutros, mas nem tanto

Muito estranho o surto de neutralidade de políticos de São Luís nessa reta final de segundo turno.

Cristão novo, ou ateu histórico, virou moda entre eles: estão mais neutros na disputa pela prefeitura que plateia estudantil em concurso de calouro.

Podem apostar.

Ao anúncio do vencedor, a tal neutralidade vai parar no beleléu.

É comentário corrente.

O "tô nem aí" de candidato bem posicionado no primeiro turno vai valer a ele indicação certa a vice-governador em 2014.



O partido e as galinhas

- Se tivesse dois apartamentos de luxo, doaria um para o partido?
- Sim - respondeu o militante.
- E se tivesse dois carros de luxo, doaria um para o partido?
- Sim - novamente respondeu o valoroso militante.
- E se tivesse um milhão na conta bancária, doaria 500 mil para o partido?
- É claro que doaria - respondeu o orgulhoso companheiro.
- E se tivesse duas galinhas, doaria uma para o partido?
- Não - respondeu o camarada.
- Mas porque doaria um apartamento de luxo se tivesse dois, um carro de luxo se tivesse dois, e 500 mil se tivesse um milhão, mas não doaria uma galinha se tivesse duas?
- Porque as galinhas eu tenho.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Farsa à mineira

TIRADENTES, UMA FARSA CRIADA POR LÍDERES DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA


Ele estava muito bem vivo, um ano depois, em Paris. O feriado de 21 de abril é fruto de uma história fabricada que criou Tiradentes como bode expiatório, que levaria a culpa pelo movimento da Inconfidência Mineira. Quem morreu no lugar dele foi um ladrão chamado Isidro Gouveia.

A mentira que criou o feriado de 21 de abril é: Tiradentes foi sentenciado à morte e foi enforcado no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, no local chamado Campo da Lampadosa, que hoje é conhecido como a Praça Tiradentes. Com a Proclamação da República, precisava ser criada uma nova identidade nacional. Pensou-se em eternizar Marechal Deodoro, mas o escolhido foi Tiradentes. Ele era de Minas Gerais, estado que tinha na época a maior força republicana e era um polo comercial muito forte. Jogaram ao povo uma imagem de Tiradentes parecida com a de Cristo e era o que bastava: um “Cristo da Multidão”. Transformaram-no em herói nacional cuja figura e história “construída” agradava tanto à elite quanto ao povo.

A vida dele em poucas palavras: Tiradentes nasceu em 1746 na Fazenda do Pombal, entre São José e São João Del Rei (MG). Era filho de um pequeno fazendeiro. Ficou órfão de mãe aos nove anos e perdeu o pai aos 11. Não chegou a concluir o curso primário. Foi morar com seu padrinho, Sebastião Ferreira Dantas, um cirurgião que lhe deu ensinamentos de Medicina e Odontologia. Ainda jovem, ficou conhecido pela habilidade com que arrancava os dentes estragados das pessoas. Daí veio o apelido de Tira-dentes. Em 1780, tornou-se um soldado e, um ano à frente, foi promovido a alferes. Nesta mesma época, envolveu-se na Inconfidência Mineira contra a Coroa portuguesa, que explorava o ouro encontrado em Minas Gerais. Tiradentes foi iniciado na maçonaria pelo poeta e juiz Cruz e Silva, amigo de vários inconfidentes. Tiradentes teria salvado a vida de Cruz e Silva, não se sabe em que circunstâncias.

Tiradentes, maçonaria e a Inconfidência Mineira: Como era um simples alferes (patente igual à de tenente), não lideraria coronéis, brigadeiros, padres e desembargadores, que eram os verdadeiros líderes do movimento. Semi-alfabetizado, é muito provável que nunca esteve plenamente a par dos planos e objetivos do movimento. Em todos os movimentos libertários acontecidos no Brasil, durante os séculos XVIII e XIX, era comum o "dedo da maçonaria". E Tiradentes foi maçom, mas estava longe de acompanhar os maçons envolvidos na Inconfidência, porque esses eram cultos, e em sua grande parte, estudantes que haviam recentemente regressado "formados” da cidade de Coimbra, em Portugal. Uma das evidências documentais da participação da Maçonaria são as cartas de denúncia existentes nos autos da Devassa, informando que maçons estavam envolvidos nos conluios.
 

Os maçons brasileiros foram encorajados na tentativa de libertação, pela história dos Estados Unidos da América, onde saíram vitoriosos - mesmo em luta desigual - os maçons norte-americanos George Washington, Benjamin Franklin e Thomas Jefferson. Também é possivel comprovar a participação da Maçonaria na Inconfidência Mineira, sob o pavilhão e o dístico maçônico do Libertas quae sera tamen, que adorna o triângulo perfeito, com este fragmento de Virgílio (Éclogas,I,27) Tiradentes era um dos poucos inconfidentes que não tinha família. Tinha apenas uma filha ilegítima e traçava planos para casar-se com a sobrinha de um padre chamado Rolim, por motivos econômicos. Ele era, então, de todo o grupo, aquele considerado como uma “codorna no chão”, o mais frágil dos inconfidentes. Sem família e sem dinheiro, querendo abocanhar as riquezas do padre. Era o de menor preparo cultural e poucos amigos. Portanto, a melhor escolha para desempenhar o papel de um bode expiatório que livraria da morte os verdadeiros chefes.

E foi assim que foi armada a traição, em 15 de março de 1989, com o Silvério dos Reis indo ao Palácio do governador e denunciando o Tiradentes. Ele foi preso no Rio de Janeiro, na Cadeia Velha, e seu julgamento prolongou-se por dois anos. Durante todo o processo, ele admitiu voluntariamente ser o líder do movimento, porque tinha a promessa que livrariam a sua cabeça na hipótese de uma condenação por pena de morte. Em 21 de abril de 1792, com ajuda de companheiros da maçonaria, foi trocado por um ladrão, o carpinteiro Isidro Gouveia. O ladrão havia sido condenado à morte em 1790 e assumiu a identidade de Tiradentes, em troca de ajuda financeira à sua família, oferecida a ele pela maçonaria. Gouveia foi conduzido ao cadafalso e testemunhas que presenciaram a sua morte se diziam surpresas porque ele aparentava ter bem menos que seus 45 anos. No livro, de 1811, de autoria de Hipólito da Costa ("Narrativa da Perseguição") é documentada a diferença física de Tiradentes com o que foi executado em 21 de abril de 1792. O escritor Martim Francisco Ribeiro de Andrada III escreveu no livro "Contribuindo", de 1921: "Ninguém, por ocasião do suplício, lhe viu o rosto, e até hoje se discute se ele era feio ou bonito...".

O corpo do ladrão Gouveia foi esquartejado e os pedaços espalhados pela estrada até Vila Rica (MG), cidade onde o movimento se desenvolveu. A cabeça não foi encontrada, uma vez que sumiram com ela para não ser descoberta a farsa. Os demais inconfidentes foram condenados ao exílio ou absolvidos.

A descoberta da farsa: Há 41 anos (1969), o historiador carioca Marcos Correa estava em Lisboa quando viu fotocópias de uma lista de presença na galeria da Assembléia Nacional francesa de 1793. Correa pesquisava sobre José Bonifácio de Andrada e Silva e acabou encontrando a assinatura que era o objeto de suas pesquisas. Próximo à assinatura de José Bonifácio, também aparecia a de um certo Antônio Xavier da Silva. Correa era funcionário do Banco do Brasil, se formara em grafotécnica e, por um acaso do destino, havia estudado muito a assinatura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Concluiu que as semelhanças eram impressionantes.

Tiradentes teria embarcado incógnito, com a ajuda dos irmãos maçons, na nau Golfinho, em agosto de 1792, com destino a Lisboa. Junto com Tiradentes seguiu sua namorada, conhecida como Perpétua Mineira e os filhos do ladrão morto Isidro Gouveia. Em uma carta que foi encontrada na Torre do Tombo, em Lisboa, existe a narração do autor, desembargador Simão Sardinha, na qual diz ter-se encontrado, na Rua do Ouro, em dezembro no ano de 1792, com alguém muito parecido com Tiradentes, a quem conhecera no Brasil, e que ao reconhecê-lo saiu correndo. Há relatos que 14 anos depois, em 1806, Tiradentes teria voltado ao Brasil quando abriu uma botica na casa da namorada Perpétua Mineira, na rua dos Latoeiros (hoje Gonçalves Dias) e que morreu em 1818. Em 1822, Tiradentes foi reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira e, em 1865, proclamado Patrono Cívico da nação brasileira.


* O texto acima é de autoria do jornalista Guilhobel Aurélio Camargo. Autor dos sucessos editorais 1808 e 1822, Laurentino Gomes diz não haver evidências históricas de que a narrativa acima seja verdadeira, e acrescenta: o que se conhece de fato sobre Tiradentes está nos livros.