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sexta-feira, 20 de maio de 2011

De antanho

Fonfonar, verbo intransitivo.

Significava tocar a buzina.

Porfiar, disputar.

Não fosse o Houaiss e o Aurélio, deles não lembrariam.

E cavoucar?

Narizes e ouvidos da minha infância guardaram para sempre.

Ninguém mais judia, aporrinha, encasqueta, dá e recebe cacholeta, bogue, cascudo e bacuri.

Guerra de espadas? Guerra nas estrelas.

Nenhum menino espera mais o desafiado.

E nenhum mais se empapuça com quebra-queixo, mindubi, pão-cheio.

Ficou cheia de não-me-toques essa terra de sonhos desfeitos.

Fonfon

Lógica invencível guia a prefeitura.

Encolhe sistematicamente as áreas para estacionamento.

Em contrapartida, adia o quanto pode solução inteligente para o transporte público.

Sem perder a carona.

Alguém sabe o rumo do casario posto abaixo no centro?

Sim, aquele a abrir vaga a centenas de carros.

Multas, sanções e reconstrução caíram em bueiro sem fundo.

Essa gente conservada em ruínas carrega “esquecimento” histórico.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Cartão postal

O único acesso rodoviário a São Luís é verde.

De raiva, suponho, pelo capinzal medonho a tomar a BR-135.

Onça esperta fuja dele.

Corram dele os motoristas, os vendedores de milho, o gado livre, os fugitivos de Pedrinhas.

Dele se escondam a buraqueira e a falta de sinalização.

Porque a cidade não foge, dá vontade danada de não voltar não.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Sem máscaras

Nomeado por José Sarney prefeito de São Luís (1965 - 1969), Epitácio Cafeteira fez nome no carnaval maranhense ao proibir os Bailes de Máscaras já no primeiro ano do mandato biônico.

Levar a polícia a localizar “subversivos”, ou “inimigos” do novo regime – a ditadura – serviu como justificativa.

“Acho que ele não queria concorrência com a dele própria”, segundo versão hilária do historiador Carlos de Lima (morto este ano), em depoimento ao poeta Paulo Melo Souza (Jornal Pequeno, 4/5/2005).


Popularíssimos no século XX (década de cinquenta), os bailes eram o paraíso dos foliões dos sem-dinheiro, pula-cercas e homossexuais.

“Cheguei a presenciar vários desses bailes, mas nenhum deles foi mais importante que os comandados por Moisés Silva. O que teve mais repercussão ficava no Beco Escuro. As pessoas, principalmente as mulheres, usavam luvas e máscaras pretas, com um nariz pontudo e vermelho. Dessa forma, ninguém as identificava. Geralmente, eram prostitutas, meninas do comércio, empregadas domésticas ou mulheres casadas que pulavam a cerca”, lembrou Lima na entrevista.

O Febeapá (Festival de Besteira que Assola o País), de Stanislaw Ponte Preta, cita o prefeito pela proibição e o apelido ganho à época: "Epitácio Cafeteira da Família dos Bules".


“Lá em casa tinha um bigorrilho
Bigorrilho fazia mingau
Bigorrilho foi quem me ensinou
A tirar o cavaco do pau
Trepa Antônio
O siri tá no pau
Eu também sei tirar o cavaco do pau
Dona Dadá, Dona Didi
Seu marido entrou aí
Ele tem que sair, ele tem que sair”

(Letra de “Bigorrilho”, marcha carnavalesca de Jorge Veiga)

Amigos do homem

Contam sobre o senador Epitácio Cafeteira.

Candidato ao Senado, fazia comício em município de São Luís quando alguém gritou:

“Cachorro!”.

“É o cinco, o número do Cafeteira”, respondeu de pronto.

Os eleitores entenderam o recado.

Político astuto, associou o “cinco” aos números do animal no Jogo do Bicho e de campanha.

Se jogada de marketing ou não, só o senador pode confirmar.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Diário de guerra

Segunda, 16.

Desde cedo fecharam a rampa do palácio para o choque de ideias entre professores e policiais.

Havia tropas, carro-canil, viaturas.

Havia grevistas aquartelados em tendas, em uma delas a reprodução de “Honoráveis Bandidos”, carro de som e palavras de ordem.

Muitos canhões pra pouca pólvora.

Desde a última reforma o Leões ficou surdo por completo a ruídos externos e ao “troar das bombardas nos combates”.

Serviço de engenharia de primeira.

Ruindade

“A mãe dele é mais ruim que falta de fôlego”.

Ouvi de homem do interior, a ruindade carregada em erres e risos.

Na roda de amigos e desconhecidos não houve quem lhe saísse à altura.

Cruz credo!