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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Sem ruge e batom

Quando o assunto é eleição, o machismo continua a ditar o abrir e o fechar de urnas no Nordeste, sim, senhor!

A deputada Eliziane Gama (PPS) é uma das quatro mulheres a disputar prefeitura de capital da região.

Tem como concorrentes sete homens e sete diferentes destinos.

E não há quem não prometa bom caminho a tantas São Luís em rumo incerto.
Os desatinos ficam por conta do eleitor.

Eliziane não está só na cruzada feminina, que soa melhor que feminista.

Alagoas, Aracaju e João Pessoa têm candidatas – desconheço se de calça, vestido ou saia.

Importa? Importa não, desde que não carreguem algo arrancado do suor alheio.

E caso interesse, São Luís é a segunda entre as capitais nordestinas com maior número de candidatos.

Perde para o Ceará, onde dez homens se perdem na caça ao voto da mulher, não as urnas de vista.

Um astro joia demais

O furto de que foi vítima o vereador Astro de Ogum pode lançar em São Luís a moda “guardo dinheiro no tambor”.

Levaram mais de R$ 1,3 milhão da casa do parlamentar umbandista – R$ 300 mil em espécie e o restante em joias.

É preciso ser muito astro pra juntar esse patrimônio ou basta perguntar aos astros onde encontrá-lo?

E onde estava Ogum no instante do furto? Em consulta?

Qual é o signo?

“Planeje férias de acordo com o seu signo”, leio na internet.

Meu interesse é turismo ou astrologia?

Que tempos!

E dizer que ainda ontem só precisávamos de 30 dias corridos, dinheiro no bolso e esquecer o celular em casa.

Mas os tempos são outros, acredite!

E o ascendente e o mapa astral, levo na bagagem ou por conta?

Faltou sal

Dois segmentos dominam o cenário petrolífero brasileiro: os que têm pré-sal e os que não têm nem sal.

Enquanto uns salgam pesadelos por refinarias, outros dormem e acordam no doce excesso do refinamento.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Zumbidos zumbis

Governo dos EUA nega existência de zumbis e sereias.

Isso é lá nos Estados Unidos, paupérrimos em lendas e assombrações.

O Maranhão há décadas – é sabido – o imaginário e a ciência só perdem para o Reino de Ina.

Onde em outro lugar do mundo aeroporto internacional teima em não decolar, estrada federal foge em trilhos a qualquer sinal de ampliação, e não encontram refinaria nem acima, nem abaixo do pré-sal?

E tudo isso seja dia, seja noite, acreditem ou não em Zumbi dos Palmares.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Pobres de espírito

A partir de outubro, o país terá exatos 56.818 vereadores.

Ou, se preferir, 5.000 bocas a mais que na última eleição.

Imagine quantas reformas de prédios e gabinetes; quanto material de expediente; quantas sessões extraordinárias; quantas ajudas de custo; quantos assessores e contracheques serão necessários para alimentar a novíssima massa trabalhista nacional.

Não sem razão o exemplo espetacular de pujança econômica surpreende uma Europa em bancarrota, e sem forças sequer para criar um mísero cargo público.

Além de pobres, canhengas!

Lá na Caxuxa!

“Cachucha” é dança sapateada espanhola, em voga no Brasil no século XIX, aprende-se no Houaiss.

E a música que acompanha essa dança, também informa o dicionário.

E Caxuxa, no Maranhão, de onde vem?

Da expressão “do tempo da Maria Caxuxa” – comum em Portugal e no Brasil para indicar fato ou algo muito antigo – e que equivaleria ao “do tempo do ronca”?

Ou da Maria Caxuxa, marcha de sucesso no carnaval carioca de 1940, na voz de Joel e Gaúcho?

Venha de onde vier, a Caxuxa maranhense – hoje povoado de Alto Alegre – trago enraizada na infância.

Quantas vezes ouvi “lá na Caxuxa!”, e nada de ir conhecer lugar tão longe assim.

Fui não. Desfazer o encanto pra quê?