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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O artista

Anel de "prata portuguesa" no dedo, cordas alemães no violão, o conhecido boêmio saca repertório brasileiro ao público inteiramente cativo. 

Após exercícios quase infinitos, entrecortados por alternância de cerveja e cachaça, a voz grasnada rasgará a noite, tal as rasga-mortalhas em sobrevoos de agouro, ele mesmo uma ave que a tudo aprendeu das muitas noites de São Luís. 

Voz e instrumento revivem Noel Rosa. 

E mal ambos principiam, o momento é interrompido para anotação grave sobre música e compositor. 

"Essa é do tempo em que o poeta andou pelos states ensinando os gringos a tocar o violão brasileiro”, e emenda o comentário com relíquias históricas do foxtrote e jazz.

E não se atrevem a desdizê-lo, até porque o artista demonstra imensa intimidade no expor dos gêneros e expoentes. 

Mas estávamos em Noel... Estávamos. 

Voz e violão tomam de assalto os domínios do samba de breque, desafiam os versos Buarquianos, descobrem novas emoções em Roberto Carlos, o Carlinhos.

Ninguém duvida. O artista é um Carlitos em tempos modernos.

Saque ao meio-dia

Vereador de São Luís é assaltado em R$ 30 mil enquanto almoçava em restaurante. 

A vereança mal comemora o reajuste de 52,9% no soldo, e aparece quem aja mais rápido que o parlamento municipal.

Saque mortal assim, nem nos tempos do velho oeste americano.

Só por curiosidade.

Qual o cardápio de quem leva R$ 30 mil para almoçar?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Solidários na dor

A prefeitura de São Luís e servidores municipais deveriam sorrir de lamúrias e infortúnios, e afogar as mágoas no Carnaval.  

Se por aqui a situação parece sem solução, o que dizer do Zimbabue, onde o governo só tem em caixa 161 euros, ou 217 dólares.

A extraordinária soma – que no momento representa as reservas cambiais do país africano – foi anunciada na terça-feira, após o pagamento do funcionalismo público. 

“Alguns servidores zimbabuenses devem ser mais ricos que o próprio Estado”, comentou o ministro das Finanças, Tendai Biti. 

E por aqui o funcionalismo dando piti porque receberá os salários de dezembro em três parcelas.

Os fora de série

Em São Luís, falta carro para atendimento na Delegacia do Idoso.

E nas outras?

Idosos, disposição ou carros novos?

Os novos "balaios"

Polícia Federal prende treze fraudadores previdenciários em Caxias, Maranhão.

Que lástima!

Após penca de abortos, morreu a terra morena que pariu Gonçalves Dias e braços para a Balaiada.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Quase imortais

São Luís está a poucas horas da receita da imortalidade.

Visto que é terminante proibido adoecer a quem não dispõe de dinheiro ou plano de saúde, só falta agora os coveiros do município abandonarem pás e covas por atraso de salário.

De jalecos vazios desde novembro, os médicos do Socorrão II saíram na frente.

E o parcelamento de salários anunciado pela prefeitura?

E aquele R$ 1 milhão que não conseguiu levantar o Carnaval, e seria o abre-alas da Saúde? 

Em fevereiro, tudo é hospital?

Cidades invisíveis

Descobrem casa estreitíssima na Madre Deus. Construída sobre o passeio público, mal cabe o morador em pé.

Caso o Crea e a Blitz Urbana percorram meia dúzia de bairros e conjuntos de São Luís, vão flagrar descobertas bem mais interessantes, e em série.

Muros, casas, acréscimos e comércios que engoliram calçadas; escadas de acesso a pavimento superior erguidas sobre o passeio público; esgotos domésticos direcionados a sarjetas; animais a pastar em praças; lixo atirado em qualquer terreno que julguem baldio.

As duas São Luís – a antiga e a “moderna” – continuam inteiramente invisíveis a quem não quer ver.