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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os sobreviventes

Ninguém segura o Maranhão que cresce às margens da BR-135.

Por menos de quinze reais não há quem leve baldinho de bacuri ou manga, ou saquinho de piqui.

- E esse preço, comadre, porque ninguém segura?
- É que a gente compra pra revender...
- E plantam o quê?
- Nadinha não...
- Nem mandioca?
- Ah, moço, ocê que comprar ou aprender a plantar?

Por segurança, recolho a língua.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

E seu Noronha?

Entro em shopping de São Paulo atrás de um terno. Na primeira frase, ao perceber a voz de taquara rachada, o vendedor logo sabe: sou do Maranhão.

- E o seu Noronha?, pergunta.

- Morreu!, informo.

O homem parece aturdido com a notícia.

- É por isso que nunca mais apareceu... Perdi um grande cliente. Era um grande contador de histórias. Aqui na loja não há quem não gostasse dele. Fazíamos roda para ouvi-lo.

Confirmo as qualidades do cliente morto e acrescento outros causos ao anedotário do primeiro grande marqueteiro autodidata deste estado.

Seu Noronha repetia com gosto cada troça que dele faziam.

E enquanto perdiam tempo em tentar ridicularizá-lo, enchia a burra com a venda de carros e serviços.

Vendedor por excelência, saiu da vida com lucro.
Quarto no ranking nacional em casos de hanseníase; primeiro no preço médio do almoço.
A continuarem esses recordes, até julho faltarão medalhas e troféus aos campeões de um sem-número de modalidades.

E também o basquete traz valiosa contribuição ao quadro de medalhas.

Conhecem outro estado com igual número de políticos e atletas atendidos em Upas?

E algum que mantenha fotógrafo de plantão para o flash de celebridades lesionadas?

domingo, 29 de janeiro de 2012

Na melhor das hipóteses

No Km 17 (próximo a Codó), em blitz montada pela polícia militar, nesse sábado, um soldado esperava a passagem de veículos com pistola em punho.

Provavelmente, o brinquedo coreano não estava engatilhado e tinha agulha hipodérmica.

Caixa de pedidos

“Caixa. A vida pede mais que um banco”.

É verdade.

Pede caixa alta para entrar e caixão de madeira para poder sair.

O craque (dois)

Zé Roberto, o artilheiro das Alagoas, foi dessas excrescências do futebol.

Pesadão e desengonçado, tinha “faro” para perder gols incríveis. E marcar muitos por puro oportunismo.

Era comum a bola bater nele – canela, ombro ou cabeça – e ir morrer na rede adversária.

E de gol em gol o “craque” se tornou artilheiro no Moto Clube. A torcida que o xingava pelas perdas, o glorificava um segundo depois.

Um dia a “sorte” do ex-ajudante de oficina mecânica foi embora, e o o mandou para time das Alagoas.

No caminho de volta levou fim de carreira e anonimato.

O craque

Na década de oitenta, o Moto Clube de São Luís buscava um artilheiro para resolver a falta de gols da equipe.

Muitos “planos”, pouco dinheiro, os dirigentes foram bater em Maceió.

Procura daqui e dali, os “olheiros” apresentam a eles “um rapaz que joga bola”.

A princípio, não ficaram entusiasmados com o que viram. Voltar de malas e cuias era pior; era enfrentar a ira da torcida do “Papão do Norte”.

E eis que o Moto apresenta ao mundo o “craque” Zé Roberto, o centroavante artilheiro das Alagoas.

O “rapaz que joga bola” trabalhava em oficina mecânica, onde passava os dias de martelo em punho e a arrancar calhas de pneus de caminhão.

A imprensa esportiva calada. A torcida, também.