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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Conta secular

“... todas as despezas feitas por esta sociedade com o certamem
commemorativo foram pagas pelo auxílio pecuniario que lhe prestou o
governo do Estado, recebido por tres vezes na importancia total de dois
contos quatrocentos e sessenta mil reis (2:460$000), como verificareis do
balanço do nosso Thezoureiro”,
cita o escritor Domingos Perdigão, em 1912, em discurso na abertura do tricentenário da Cidade de São Luís.

Perdigão foi diretor da Biblioteca Pública e participou da fundação da Faculdade de Direito do Maranhão em 1918.

Coube ao governo Luis Domingues (1910 -1914) abrir as portas do Maranhão aos empréstimos internacionais.

A pretexto de sanear as contas do estado, tomou aos banqueiros Mayer Freres & Cia., por intermédio do Banco Argentino Francês, 20.000.000 de francos pelo prazo de 25 anos, a juros de 3% e amortização de 2%.

E o destino dos francos?

Segundo o historiador Mário Meireles, o empréstimo bancou empresas particulares e pagou dividas públicas acumuladas. Ambos consumiram cerca de 80% do dinheiro.

Os outros 20% teriam sido gastos em “compromissos menores, imediatos e inadiáveis”, ainda segundo Meireles.

Acredita-se que as despesas com tricentenário foram pagas com as “sobras” do empréstimo.

À dona dos estilos

Registro com pesar a morte de Flor de Lys.

Era inconfundível, inimitável.

Na tevê, abusou de peripécias para não perder matérias. Só um bom repórter o faz.

Félix Lima coordenou entrevista longa e inédita com a colunista ainda vibrante, generosa em linguajar e ideias. Por certo a guarda. Quem sabe não nasça daí novo livro do jornalista.

A vi pela última vez em festinha de final de ano na casa de Orquídea, filha, a saúde já abalada, as idas a médicos cada vez mais constantes.

Orquídea, Mhário Lincoln.

Chorem pelos que não souberam viver. Flor de Lys soube intensamente.

Mãos à obra, caros.

Sobre a dona dos muitos estilos há muito a contar.

domingo, 29 de maio de 2011

Na bucha

Nos anos setenta o Sampaio Corrêa mandou buscar – sabe-se lá onde – penca e renca de jogadores gaúchos.

Chegaram como "salvadores" do futebol maranhense, saíram no revestrés da fama.

Num domingo de futebol, um dos “cobras” foi a estrela do “Futebol de Meia Tijela”.

A entrevista chega ao tema “Preferências Pessoais”.

O gaúcho gostava de loiras e louras, e de uma porção de coisas bacanas.

Grandessíssimo gozador, Rui Dourado dispara.

“Prato preferido?”.

O convidado, sem titubear:

“Misto quente”.

Menos mal. Poderia ter dito “Colorex”, a louça da moda.

Xeleleu aos domingos

É do radialista maranhense Rui Dourado uma das pérolas da radiofonia nacional.

Criativo e irreverente, “Futebol de Meia Tigela” fez baita sucesso nos anos sessenta, na Rádio Gurupi – então emissora dos Diários Associados.

Uma década mais tarde o programa foi parar na Rádio Difusora e, anos depois, na Rádio Timbira. O radialista José Branco integrava o elenco.

Não houve domingo de Nhozinho Santos sem o “Xeleleu”, personagem criado por Rui para caçoar das coisas do futebol.

Nenhum cartola ou jogador escapou da língua afiadíssima do maroto.

Estudantes de Comunicação – não só de Radiojornalismo – deveriam tentar resgatar os áudios.

São aulas de competência e – saibam logo os que não conhecem – sem a parafernália tecnológica de hoje.

Perdidos no espaço

Um bando de malucos passa os dias a matar crocodilos em pântanos (os bichos parecem inofensivos diante da fúria dos caçadores).

Outro biruta trucida com serra elétrica tudo o que vê pela frente (começou treinando no próprio cérebro, desconfio).

Uma cambada de caminhoneiros enfrenta estradas de gelo para entregar bagulhos em cidade ao lado do Pólo Norte (vestidos daquele jeito até parecem papais noeis fora de época).


Um sujeito metido a engraçado pensa que quem entra na sua loja de penhores está à venda (o filho tatuadão deve ter vindo de venda desfeita).

Uma dúzia de tagarelas entope teu saco de dívidas e ouro e prata (uma das múltiplas versões de “Faça teu ladrão brilhar”).

Vem cá, foi pra isso que me convenceram a ter tevê a cabo?

Fora de ação

De um site de notícias:

“Ação alerta jovens sobre os perigos do cigarro na capital”.

Mensagem entendida.

Fora da capital podem pitar à vontade.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Escovas em riste

Grupo numeroso de senhoras perdeu a cabeça com a greve dos rodoviários.

Cabeleireiras, manicures, depiladoras e esteticistas sumiram por encanto.

Do Alto da Esperança ao Maiobão, não houve mototaxista que as encontrasse.

Quantas escovas, alisamentos, peelings e máscaras faciais desfeitos.

Não soube de casamentos durante a semana.

E nem de mulheres que quisessem se separar e mostrar o rosto em público sem o seu Lancôme.


Soube de noivas neuróticas, de nenhuma pelo noivado desfeito.

Aos pobres maridos restaram uns trocados a mais na carteira e feroz greve de sexo.

De silêncio, tiram de letra.

Esteja certo.

Certas greves determinam os altos e baixos da nossa sociedade.